Aliados do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, relatam preocupação com sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, existe o temor de que a pressão do Senado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) gere dificuldades na sabatina e na votação.
Preocupação com Resistência do Senado
Interlocutores de Messias perceberam sinais de desânimo, levantando dúvidas sobre a concretização de sua nomeação. No entanto, Lula reafirmou sua decisão. Na noite de segunda-feira (20), o presidente comunicou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sua intenção de indicar o AGU ao STF. Alcolumbre, contudo, expressou preferência pelo nome de Pacheco.
A expectativa inicial era de que Lula oficializasse a indicação de Messias antes de sua viagem à Ásia. O adiamento ocorreu para que o presidente pudesse conversar previamente com Pacheco, em um gesto de deferência, considerando que Pacheco é o nome favorito de Lula para disputar o Governo de Minas Gerais em 2026. Essa demora gerou apreensão entre os aliados do AGU.
Histórico de Indicações ao STF
O Planalto, por sua vez, demonstra Confiança de que o Senado não barrará o nome de Messias, apesar da forte pressão em favor de Pacheco. Integrantes do governo recordam que a última vez em que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao STF foi durante o governo de Floriano Peixoto (1891-1894), no início da República. Este histórico sugere uma baixa probabilidade de rejeição.
Desafios de Sabatina e Votação
Em 2021, Davi Alcolumbre, então presidente da Casa, retardou por quase 100 dias a sabatina de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro. Na época, Alcolumbre defendia o nome do procurador-geral Augusto Aras. Apesar da demora, o nome de Mendonça foi aprovado. Curiosamente, Messias, que é evangélico como Mendonça, atuou nos bastidores para viabilizar a indicação do colega.
A resistência no Senado, impulsionada pela preferência por Pacheco, pode indicar um processo de sabatina mais rigoroso para Messias, exigindo forte articulação política para garantir os votos necessários na votação em plenário. A confirmação de Messias no STF depende, em grande parte, da capacidade do governo em neutralizar as resistências internas e externas.
Fonte: Estadão