Marcos Lisboa: Brasil é “medíocre” e “caro”, longe da Venezuela

Marcos Lisboa critica economia brasileira: “cara, ineficiente e pouco inovadora”. Brasil escolheu a mediocridade, longe da Venezuela, mas com riscos.
Marcos Lisboa — foto ilustrativa Marcos Lisboa — foto ilustrativa

O economista Marcos Lisboa criticou o cenário econômico brasileiro, descrevendo o país como “caro, ineficiente e pouco inovador”. Em participação no podcast Outliers InfoMoney, Lisboa destacou o contraste entre setores que se beneficiam de crédito subsidiado e a maioria da população que enfrenta Custos financeiros proibitivos.

Brasil: Um País de Mediocridade Escolhida

Lisboa afirmou que o Brasil optou pela mediocridade, distanciando-se de um Colapso como o da Venezuela. “O mundo enriqueceu e a gente ficou para trás. Não somos a Venezuela. Aqui é medíocre — escolhemos ser um país medíocre. Gostamos da mesada do governo e de um setor privado que depende do Judiciário”, declarou.

Ele apontou que, enquanto o agronegócio e beneficiários do BNDES usufruem de juros baixos, muitos brasileiros arcam com taxas de juros proibitivas. O economista também ressaltou que o país protege empresas ineficientes, em vez de estimular inovação, produtividade e crescimento econômico.

“O Brasil é um país caro. Protege empresas ineficientes e não estimula inovação, produtividade ou crescimento econômico.”

Marcos Lisboa em entrevista
Economista Marcos Lisboa

Riscos de Governança e Insegurança Jurídica

Lisboa também alertou para os perigos da governança e da insegurança jurídica, que inibem o ambiente de negócios e o investimento produtivo. Ele mencionou que órgãos como a Justiça do Trabalho e a Receita Federal frequentemente interpretam a lei em vez de aplicá-la, gerando disfuncionalidades na economia.

“A Justiça do Trabalho, a Receita Federal e órgãos de controle frequentemente interpretam a lei em vez de respeitá-la, o que gera desfuncionalidade na economia.”

Apesar de o cenário não ser apocalíptico, o Brasil enfrenta baixo crescimento e decisões públicas que favorecem grupos específicos, perpetuando uma economia de resultados limitados. “Ainda que não estejamos em tragédia, vivemos um quadro de estagnação. As decisões do Estado favorecem setores com lobby, e não o conjunto da sociedade”, explicou.

O Brasil como Paciente Grave, Mas Não Terminal

O economista compara a economia brasileira a um paciente em estado grave, mas com potencial de recuperação. “O Brasil vive um momento de tensão econômica que especialistas descrevem como sintoma de saúde grave, mas ainda não terminal”, afirmou.

Lisboa recordou que o país só avança em reformas quando confrontado por crises que forçam o alinhamento político. Ele citou as altas inflações dos anos 80 e as políticas econômicas fracassadas como exemplos, destacando que o protecionismo atrasou o Brasil em relação ao resto do mundo.

“A gente já viveu isso várias vezes. Tivemos alta inflação nos anos 80, políticas econômicas que fracassaram imensamente, e o protecionismo nos atrasou em relação ao mundo.”

Ele relembrou a época da hiperinflação, onde o dinheiro perdia valor rapidamente e as aplicações financeiras não protegiam contra a perda. “Você corria para trocar dinheiro por produtos como leite condensado ou sabão em pó, porque mesmo aplicações overnight não protegiam. Fizemos o ajuste, enfrentamos abertura comercial e privatizações de serviços públicos ineficientes. A telefonia era um absurdo.”, disse.

No podcast, Lisboa criticou a incompetência do Executivo em liderar a política pública, a fragmentação das decisões do Congresso em prol de interesses de grupos, e o patrimonialismo que une esquerda e direita em medidas populistas.

Participação de Marcos Lisboa no podcast Outliers InfoMoney
Marcos Lisboa no podcast Outliers InfoMoney

Fonte: InfoMoney

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