Lula critica EUA na Venezuela e critica Trump: ‘Terra sem lei’

Lula critica ações dos EUA na Venezuela e antecipa debate com Trump sobre soberania. Entenda o posicionamento do Brasil e o risco de “terra sem lei”.
Presidente Lula em discurso sobre política externa e relações internacionais, criticando ações dos EUA na Venezuela. Presidente Lula em discurso sobre política externa e relações internacionais, criticando ações dos EUA na Venezuela.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou discordância sobre ataques e invasões a outros países com a justificativa de combater o narcotráfico. Durante coletiva de imprensa em Jacarta, Indonésia, Lula afirmou que, caso o presidente norte-americano, Donald Trump, deseje, o tema dos ataques dos Estados Unidos a barcos na costa da Venezuela será debatido. Existe a expectativa de um encontro entre Lula e Trump na Malásia neste domingo (26).

O Governo Trump tem intensificado uma ofensiva no mar do Caribe, alegando mirar traficantes de drogas a caminho dos Estados Unidos. O presidente americano admitiu autorizar operações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA) no país de Nicolás Maduro.

Para Lula, a falta de regras internacionais pode levar a um cenário de anarquia global: “Se o mundo virar uma terra sem lei, vai ficar muito difícil”. O presidente brasileiro sugeriu que os EUA priorizem a cooperação com a polícia e o Ministério da Justiça de outros países como alternativa.

“Se a moda pega, cada um acha que pode invadir o território do outro para fazer o que quer. Onde é que vai surgir a palavra respeitabilidade à soberania dos países? Então eu pretendo discutir esses assuntos com o presidente Trump se ele colocar na mesa”, argumentou.

Lula comentou a declaração de Trump de que vai “apenas matar as pessoas que estão levando drogas para o seu país”, afirmando que “acho que Falta um pouco de compreensão da questão da política internacional”. O presidente brasileiro reforçou que Trump não pode simplesmente invadir e “combater o narcotráfico na ‘terra dos outros'”, desconsiderando a soberania e a constituição dos países.

A expectativa do governo brasileiro é que o encontro entre Trump e Lula ocorra no domingo (26/10), à margens da cúpula da Asean na Malásia.

Presidente Lula discursa em evento internacional.
Presidente Lula discursa em evento internacional.

América Latina como Zona de Paz

Esta não é a primeira vez que Lula aborda o tema. No início da semana, em um evento no Itamaraty, o presidente declarou que manter a América Latina e o Caribe como zona de paz é uma prioridade para o Brasil. Ele ponderou que “intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar” no continente. Sem citar diretamente os EUA e a Venezuela, Lula destacou que a região enfrenta um momento de crescente “polarização e instabilidade”.

Possível Reunião com Trump e Relações Bilaterais

Caso o encontro entre Lula e Trump seja confirmado, será o primeiro na agenda oficial desde a imposição do tarifaço de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A reunião ainda não foi confirmada oficialmente por ambos os governos.

Os dois presidentes têm demonstrado uma aproximação desde setembro. Após um breve contato positivo na Assembleia da ONU, uma conversa de cerca de 30 minutos ocorreu por telefone, intermediada pelas diplomacias dos países. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também se reuniram.

Lula chegou à Malásia nesta sexta-feira (24) para participar de um encontro com líderes asiáticos da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em sua segunda etapa de viagem pela Ásia, após passar pela Indonésia.

Fonte: G1

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