Kinea vê chance majoritária de petróleo acima de US$ 100 por mais tempo

Kinea revisa projeções e vê chance majoritária de petróleo acima de US$ 100 por mais tempo devido a conflito no Oriente Médio e fechamento do Estreito de Ormuz.

A gestora Kinea revisou suas projeções para o mercado de petróleo, considerando agora uma probabilidade maior de que os preços do barril permaneçam acima de US$ 100 por um período prolongado. A mudança de perspectiva ocorre devido ao acirramento do conflito no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz, que impactou o fluxo potencial de petróleo da região.

Cenários para o Petróleo

A Kinea agora distribui três cenários para o conflito, cada um com implicações distintas para o preço do barril. No cenário de acordo, com retirada de sanções e reabertura do Estreito, o Brent convergiria para US$ 70 a US$ 80, com probabilidade de 40%. No cenário intermediário, com ataques americanos diminuindo, mas o Irã mantendo o controle de Ormuz, o petróleo ficaria acima de US$ 100 por mais tempo, com outros 40% de probabilidade. No cenário de escalada militar, com bloqueio prolongado e possível invasão terrestre, os preços poderiam chegar entre US$ 150 e US$ 200, cenário com chance de 20% de probabilidade.

Impacto no Fluxo Global

O conflito gerou um déficit de aproximadamente 7 milhões de barris por dia. Mesmo com compensações, como o redirecionamento de oleodutos e a liberação de reservas estratégicas, o saldo continua negativo. O mercado já reflete parte desse movimento, com o Brent operando perto de US$ 110.

Revisão de Carteira e Implicações Globais

A Kinea ajustou sua carteira, saindo de uma posição vendida em petróleo para uma postura levemente comprada. Paralelamente, migrou de vendida para comprada em milho, citando o risco de interrupção no fornecimento global de fertilizantes nitrogenados, já que 35% do comércio global desse insumo passa por Ormuz. O choque de petróleo já fez o mercado reprecificar os ciclos de juros em diversas economias. No Brasil, a curva de juros precifica um ciclo de cortes mais curto, com a inflação impondo desafios ao Banco Central. A Kinea mantém posição aplicada em juros e comprada em real, com a tese de que o país sai relativamente bem do choque.

Fonte: Infomoney

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