As taxas do Tesouro Direto registraram uma queda generalizada nesta segunda-feira, refletindo o otimismo dos mercados após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump. O encontro, realizado em Kuala Lumpur, amenizou as incertezas sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, impulsionando os juros futuros.
Impacto do Encontro Lula-Trump nos Mercados
Apesar de não haver um acordo comercial imediato, a reunião foi descrita como “positiva e descontraída” pelo Ministro das Relações Exteriores. Lula, por sua vez, qualificou a conversa com Trump como “surpreendentemente boa”, enquanto o ex-presidente americano expressou disposição em “avançar rápido na discussão”. Esse tom mais construtivo entre as duas nações contribuiu para a redução das taxas dos títulos atrelados à inflação em toda a curva.
Na manhã de hoje, o Tesouro IPCA+ 2050 oferecia um rendimento de 6,91% ao ano em juro real, uma redução de 5 pontos-base em relação à sexta-feira e significativamente abaixo dos 7,17% registrados há duas semanas. O Tesouro IPCA+ 2040 também apresentou recuo em suas taxas, negociando a 7,15%, e o IPCA+ com juros semestrais 2035, a 7,43%. A maior queda percentual foi observada no IPCA+ 2029, que passou de 7,95% para 7,87%.
Desempenho dos Títulos Prefixados
Nos títulos prefixados, as taxas também operaram em leve declínio. O Tesouro Prefixado 2028 teve sua taxa reduzida de 13,09% para 13,00% ao ano, enquanto o Prefixado 2032 caiu de 13,58% para 13,49%.
Analistas como Ricardo Trevisan Gallo, CEO da Gravus Capital, apontam que o principal efeito imediato do encontro é a melhora do humor no Mercado. No entanto, a concretização de benefícios econômicos dependerá de “negociações técnicas bem estruturadas, com carve-outs setoriais e faseamento das tarifas”. José Cassiolato, estrategista da Vitrix Capital, sugere que um eventual alívio tarifário poderia impulsionar a valorização de empresas brasileiras, recuperando perdas anteriores decorrentes de anúncios de tarifas.
Inflação e Expectativas para a Selic
A melhora no cenário diplomático se soma a indicadores de inflação mais favoráveis, reforçando as expectativas de um corte na Taxa Selic em 2026. O IPCA-15 de outubro, que registrou alta de 0,18% — abaixo das projeções de mercado —, levou a XP a revisar sua projeção para o IPCA de 2025 de 4,7% para 4,6%. Esse cenário, aliado a uma menor percepção de risco e expectativas positivas para o comércio bilateral, posiciona o mercado de renda fixa para um início de semana com maior apetite por risco. A bolsa de valores operou em leve alta, enquanto o dólar registrou queda.
Fonte: InfoMoney