Juros Futuros Sobem Após Copom Manter Postura Conservadora

Juros futuros sobem após decisão conservadora do Copom. Mercado ajusta expectativas de política monetária com Selic mantida em 15%. Entenda os impactos.
Gráfico com percentual de juros, indicando alta após decisão do Copom. Gráfico com percentual de juros, indicando alta após decisão do Copom.

Os juros futuros fecharam em alta nesta quinta-feira (6), com a ponta curta da curva a termo reagindo à decisão e ao comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central manteve a taxa Selic em 15% e reforçou sua postura conservadora, ajustando as expectativas dos investidores sobre a política monetária.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 subiu de 13,84% para 13,88%. Já a taxa do DI para janeiro de 2029 avançou de 13,07% para 13,08%, enquanto a do DI de janeiro de 2031 oscilou marginalmente de 13,37% para 13,375%.

Inicialmente, as taxas de longo prazo chegaram a cair, mas inverteram o movimento no final da tarde, acompanhando a alta concentrada na ponta curta da curva a termo.

Gráfico com percentual de juros, indicando alta após decisão do Copom.
Taxas de juros futuras apresentaram alta após decisão conservadora do Copom.

Análise do Comunicado do Copom

O comunicado divulgado pelo Copom apresentou poucas mudanças em relação à reunião de setembro. As menções ao período prolongado de Selic em patamar contracionista e à disposição do BC em subir a taxa novamente, se necessário, foram interpretadas como uma tentativa de controlar a precificação de cortes de juros futuros.

Contudo, o Banco Central também sinalizou de forma mais clara que percebe um arrefecimento da atividade econômica e uma convergência gradual da inflação para a meta de 3%. A melhora em medidas subjacentes da inflação, que antes mostravam resistência ao aperto monetário, também foi notada.

Expectativas para o Ciclo de Afrouxamento Monetário

Para Luis Cezario, economista-chefe da Asset 1, o comunicado do Copom indicou um movimento em direção ao ciclo de afrouxamento monetário previsto para o próximo ano, mas sem definir um prazo claro para o início dos cortes. Ele destaca que a afirmação do BC de que a Selic em 15% é suficiente para atingir a meta inflacionária sugere que a próxima discussão será sobre a flexibilização da política monetária.

“Ele ainda não está preparado para dar um sinal mais claro disso”, afirma Cezario. “Por isso, preferiu ser bem cauteloso na comunicação. A porta está fechada para uma redução [da Selic] em dezembro, mas não para janeiro”, ressalta. Seu cenário base prevê um corte de 0,25 ponto percentual em janeiro de 2026 e a Selic em 12% ao final do próximo ano.

Cezario acredita que a decisão sobre o primeiro corte de juros, previsto entre janeiro e março, dependerá da evolução da economia. Dados de atividade abaixo do potencial, ajustes no Mercado de trabalho e a queda mais acentuada das expectativas de inflação podem justificar um início mais precoce. A ata da reunião, a ser divulgada na próxima terça-feira (11), deve detalhar melhor as discussões do Copom.

Gráfico de projeção de taxas de juros futuras, com foco na Selic.
Projeções de juros futuros indicam cautela do mercado.

Riscos para a Atividade Econômica

O economista-chefe da Asset 1 também aponta riscos para a atividade econômica, tanto de alta quanto de baixa. Medidas fiscais e parafiscais em ano eleitoral podem sustentar a economia, retardando o ciclo de cortes do BC, um cenário já precificado pelo mercado. Por outro lado, uma deterioração mais forte do mercado de crédito privado, atualmente subestimada, pode acelerar a redução do aperto monetário.

“Esse canal vinha crescendo num ritmo muito forte nos últimos anos e, agora, está desacelerando acentuadamente e já gera um impulso de crédito negativo sobre a atividade”, alerta Cezario. Se essa desaceleração afetar setores sensíveis ao crédito, o BC poderá reduzir o grau de aperto monetário de forma mais rápida.

Fonte: Valor Econômico

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