O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, declarou nesta sexta-feira (7) que a alta taxa de juros no Brasil, atualmente em 15% ao ano, representa um obstáculo significativo para o desenvolvimento econômico e para a expansão do crédito destinado ao agronegócio.
Durante o Fórum de Buenos Aires, Fávaro ressaltou o desafio imposto pela política monetária restritiva. “É impossível fazer desenvolvimento com taxa básica de juros a 15% ao ano. É um desafio gigante”, afirmou.
Crédito Verde e Sustentabilidade no Agronegócio
Apesar do cenário de juros elevados, o governo tem envidado esforços para criar condições de financiamento mais favoráveis ao setor. O ministro citou programas focados em sustentabilidade e na recuperação de áreas degradadas, como o Caminho Verde Brasil, que oferece juros reduzidos e prazos de pagamento estendidos.
“Nos três planos-safra que apresentamos neste governo, a menor taxa de juros com recursos disponíveis foi exatamente para essa rede de crédito. Renovago Brasil tem, nos três anos consecutivos, algo em torno de R$ 7 bilhões, com juros que variavam de 7% ao ano nos dois primeiros anos e agora 8,5% ao ano, com dez anos para amortização”, detalhou Fávaro.
O objetivo primordial desses programas é estimular a recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas. Essa iniciativa visa dobrar a produção de alimentos e energia do país sem a necessidade de desmatamento, priorizando a conservação ambiental.
“Ao invés de procurar áreas de cerrado ou de Floresta para fazer conversão, recupere áreas degradadas. Isso permite um crescimento sustentável sem atingir o principal ativo, que é o meio ambiente, mantendo-o preservado como está”, defendeu o ministro.
Inovação e Responsabilidade Ambiental como Pilares
Fávaro também enfatizou a importância de estender o Acesso ao crédito verde, especialmente para pequenos produtores. O programa Solo Vivo, por exemplo, financia a recuperação de solos em propriedades de até 10 hectares, democratizando o acesso a práticas sustentáveis.
O ministro concluiu seu discurso destacando que a combinação de juros menores, impulsionada por políticas públicas, com a adoção de inovação tecnológica e um forte compromisso com a sustentabilidade, é fundamental para assegurar o futuro próspero do agronegócio brasileiro. “Com a recuperação das áreas degradadas e o uso de novas tecnologias, o Brasil pode dobrar a produção e seguir como potência agrícola sem abrir mão da responsabilidade ambiental”, finalizou.
Fonte: InfoMoney