STF: Ministros articulam aprovação de Jorge Messias sob pressão

Ministros do STF articulam aprovação de Jorge Messias, indicado por Lula, sob pressão política e com foco na estabilidade da Corte.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atuam nos bastidores para viabilizar a aprovação de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Interlocutores do Planalto indicam que Messias já teria sinal verde de partidos como PSD e MDB.

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Para ser nomeado ministro do Supremo, Messias precisa passar por sabatina no Senado e ter sua candidatura aprovada em votação no plenário.

Dentro do STF, a avaliação reservada é que, apesar de uma ala ligada ao ministro Alexandre de Moraes ter demonstrado preferência inicial por Rodrigo Pacheco, esse debate foi superado. Prevalece entre um grupo de ministros o entendimento de que é melhor aprovar agora um nome indicado por Lula do que correr riscos no cenário pós-eleitoral, especialmente em caso de mudança no comando do Planalto.

A preocupação também passa pelo funcionamento da Corte. Em meio a uma crise institucional, ministros avaliam que manter uma cadeira vaga fragiliza ainda mais o Supremo.

No Congresso, porém, o ambiente é outro. Segundo relatos de aliados de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, ele conversou com Lula por telefone, mas evitou assumir compromisso de apoio. A sinalização foi de neutralidade: o senador não pretende ajudar, mas também não deve atuar para atrapalhar.

A leitura entre esses aliados é de deterioração rápida do cenário político. A oposição é vista como altamente organizada, com destaque para a atuação do senador Flávio Bolsonaro, considerado atualmente um dos principais vetores de mobilização dentro e fora do Congresso.

Nos bastidores, já há discussões entre senadores sobre a possibilidade de impor uma derrota ao governo com potencial impacto eleitoral, movimento que poderia fortalecer o campo oposicionista e projetar Flávio Bolsonaro em um cenário presidencial.

Aliados de Alcolumbre também apontam falhas de coordenação do governo que, na avaliação deles, pode não ter calibrado corretamente o “timing” da indicação. A decisão de avançar agora buscou evitar uma contaminação mais direta pelo período eleitoral, mas acabou colocando o STF no centro do debate político nacional.

A avaliação predominante é a de que pautas envolvendo o Supremo têm forte ressonância na opinião pública e tendem a se refletir nas urnas, ampliando o risco político para o governo.

Apesar da relação historicamente próxima, há hoje a percepção de um distanciamento entre Alcolumbre e Lula. Esse afastamento ajuda a explicar a postura mais cautelosa adotada pelo presidente do Senado neste momento.

Fonte: G1

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