O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que buscará novamente o diálogo com senadores para obter apoio à sua indicação ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração surge após o Palácio do Planalto informar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhará ao Senado a mensagem que comunica a escolha de Messias para o STF.
O envio da mensagem ao Senado ocorre quatro meses após o presidente Lula anunciar a escolha de Messias para suceder o ministro aposentado Luís Roberto Barroso. Messias expressou humildade e fé em sua jornada no Senado, buscando entendimento e reafirmando seu compromisso com o diálogo e a conciliação.
A indicação para o STF é uma prerrogativa presidencial, mas requer aprovação do Senado após sabatina, com apoio de ao menos 41 senadores. O Palácio do Planalto havia segurado o envio da mensagem devido ao risco de rejeição, em articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que desejava emplacar o aliado Rodrigo Pacheco na vaga.
Segundo fontes do Planalto, o próprio Messias pediu a Lula o envio da mensagem ao Senado, após avaliar que a situação entre os senadores melhorou e que ele possui votos para ser aprovado. Alcolumbre, por sua vez, esperava uma conversa presencial com Lula antes do envio da mensagem, mas o avanço da articulação é atribuído ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
Demora na sabatina
A demora na aprovação da indicação de Jorge Messias pode superar a de André Mendonça, que aguardou mais de quatro meses para ser votado no Senado. Na época, Davi Alcolumbre, então presidente da CCJ, demorou 141 dias para colocar o nome de Mendonça em votação, enquanto tentava convencer o então presidente Jair Bolsonaro a indicar outro nome.
Clima político para votação
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar, vê melhora no clima político para a indicação de Messias, afirmando que o cenário antes estava ‘agudizado’. Ele confirmou que o senador Weverton Rocha continuará como relator da nomeação, considerado uma escolha estratégica por ter bom trânsito com governistas e oposição.
Interlocutores de Alcolumbre, no entanto, negam acordo ou mudança de clima, afirmando que o presidente do Senado aguarda a formalização da nomeação. A nomeação de Messias bateu o recorde de demora na tramitação, superando os quatro meses de André Mendonça. A crise do Banco Master também elevou a temperatura política na Casa, impactando negativamente as negociações.