A isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, com redução para valores entre R$ 5 mil e R$ 7.350,00, promete impulsionar a renda disponível de milhões de brasileiros e beneficiar diretamente o setor de varejo. O projeto, já aprovado pelo Senado, aguarda sanção presidencial e entra em vigor a partir de janeiro de 2026.
Estima-se que entre 17,9 milhões e 20,9 milhões de trabalhadores serão beneficiados, com um montante adicional de cerca de R$ 27 bilhões para gastar anualmente. Esse valor se soma ao aumento já previsto para o salário mínimo.
Impacto esperado no varejo
Danniela Eiger, head de Varejo da XP, prevê um impacto positivo para o varejo. “Isso normalmente acontece quando há benefícios ou outras medidas, e os consumidores de baixa renda tendem a direcionar parte desse ganho para o consumo imediato, o que deve beneficiar as empresas de varejo”, explica.
No entanto, o destino exato desse dinheiro é incerto. Eiger ressalta que uma parcela significativa pode ser destinada ao pagamento de dívidas ou a categorias de consumo mais básicas, como alimentos, dada a atual restrição no poder de compra das famílias brasileiras.
Consumo de bens duráveis e cenário de juros
O impacto em categorias de consumo mais discricionárias, como vestuário e eletrônicos, tende a ser mais limitado. Produtos de maior valor, como bens duráveis, são mais sensíveis às condições de crédito e às taxas de juros. Embora a expectativa seja de queda nos juros em 2026, a redução deve ser gradual.
“Portanto, o principal impacto esperado da isenção no varejo é sobre bens de consumo básico ou discricionário de menor valor”, resume Danniela Eiger.
Setor de carnes pode se beneficiar
A renda extra liberada pela isenção do Imposto de Renda também pode impulsionar o setor de carnes. Leonardo Alencar, head de Agro, Alimentos e Bebidas da XP, aponta que anos eleitorais, como 2026, historicamente apresentam aumento na renda disponível e estímulo ao consumo, especialmente de proteínas.
“Mesmo sem o estímulo adicional da isenção fiscal, o cenário é positivo, pois tradicionalmente há correlação entre ano eleitoral e crescimento no consumo desses produtos”, afirma Alencar.
O Mercado brasileiro de proteínas deve ter um ano favorável em 2026, com expectativa de continuidade na alta dos preços, sustentação do consumo interno e exportações fortes. Frigoríficos, em particular, podem se beneficiar de margens melhores, com os segmentos de frango e suíno como destaques. O setor bovino também pode ver uma pressão de alta nos preços devido à menor oferta prevista.
Competição com jogos online
Um concorrente notável para o varejo na disputa pelos recursos liberados é o mercado de jogos online. Estudos indicam que milhões de brasileiros já renunciam a outros tipos de consumo para apostar em jogos online. Essa tendência pode desviar parte da renda extra que, de outra forma, seria direcionada ao varejo.
O Índice do Setor de Consumo, o ICON da B3, tem apresentado desempenho positivo, refletindo a força geral do mercado.
Fonte: InfoMoney