Irmãos de Toffoli venderam resort a fundo investigado no caso Master

Irmãos de Dias Toffoli venderam fatia milionária em resort a fundo da Reag Investimentos, ligada ao Banco Master e investigada pela PF.
Irmãos de Toffoli venderam resort a fundo investigado — foto ilustrativa Irmãos de Toffoli venderam resort a fundo investigado — foto ilustrativa

Os irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli cederam uma participação milionária em um resort localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos. Esta gestora está sob investigação por abrigar fundos ligados ao Banco Master e suspeitos de sonegação fiscal bilionária, principalmente no setor de combustíveis.

A participação vendida era em um resort chamado Tayaya, que ocupa uma área de 58 mil metros quadrados. Segundo informações obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo, o fundo Arleen Fundo de Investimentos, administrado pela Reag, investiu cerca de R$ 20 milhões em duas empresas controladas por familiares de Dias Toffoli e responsáveis pela gestão do empreendimento.

Investigações e Conexões

O caso ganha contornos ainda mais complexos pelo fato de Dias Toffoli ser o relator de um inquérito no STF que apura o envolvimento do Banco Master e da Reag Investimentos. O ministro assumiu a responsabilidade pelo caso após aceitar um pedido da Defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para que a investigação tramitasse no STF.

A Reag Investimentos já foi alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por abrigar fundos utilizados por suspeitos de sonegação e de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital) no ramo de combustíveis. A PF deflagrou a Operação Carbono Oculto, que apura o uso de fundos da Reag para lavagem de dinheiro.

Participação dos Familiares de Toffoli

Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo revelam que, em 2021, a empresa Maridt Participações S.A., cujos dirigentes eram dois irmãos de Dias Toffoli – Jose Carlos (padre) e José Eugênio Dias Toffoli (engenheiro) –, tornou-se sócia do resort Tayaya. A participação acionária dos irmãos atingiu R$ 1,37 milhão na Tayaya Administração e Participações e outros R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos.

Posteriormente, em setembro do mesmo ano, a Maridt vendeu parte de suas cotas no Tayaya por R$ 618 mil e outra parte na DGEP por R$ 2,54 milhões ao fundo Arleen. Atualmente, nem o fundo Arleen, nem os familiares de Toffoli permanecem formalmente como sócios das empresas. As cotas foram cedidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, que se tornou o único sócio.

O fundo Arleen, aberto em 2021 com prazo de 20 anos, tem como único cotista outro fundo gerido pela Reag. No entanto, em novembro de 2025, dois meses após a deflagração da Operação Carbono Oculto, uma assembleia de cotistas decidiu pela sua liquidação. Dias depois, Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso pela PF em uma operação que investiga fraudes financeiras na venda da instituição.

Conexões e Posicionamentos

A auditoria sobre as demonstrações financeiras do fundo Arleen revelou a Falta de documentos essenciais para a verificação de seus ativos, como os relativos ao resort Tayaya. Auditores expressaram preocupação com a Operação Carbono Oculto e suas possíveis ligações com o fundo.

O ministro Dias Toffoli é frequentador do resort Tayaya há anos. Relatos indicam que, em ocasiões recentes, ele utilizou um helicóptero para chegar ao local, após embarcar em um avião pertencente a um dos controladores da Copape, empresa suspeita de sonegação bilionária e alvo da Operação Carbono Oculto.

Procurados, o resort Tayaya, os familiares de Dias Toffoli, a Reag Investimentos e o advogado Paulo Humberto Barbosa não se manifestaram. A Defesa de Daniel Vorcaro, por meio de nota, negou envolvimento do Banco Master com as supostas fraudes, afirmando que o texto estabelece conexões inexistentes e que o banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos fundos citados.

Fonte: Estadão

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