Argentina: Por que investidores não confiam em Milei e no peso?

Investidores não confiam no peso argentino e nas promessas de Javier Milei, mesmo com apoio dos EUA. Entenda os desafios econômicos.
investidores não acreditam na Argentina — foto ilustrativa investidores não acreditam na Argentina — foto ilustrativa

A Argentina enfrenta um desafio crítico na Confiança dos investidores, apesar de recentes esforços e do apoio financeiro dos Estados Unidos. Uma intervenção semelhante à de 1995, quando Bill Clinton emprestou US$ 20 bilhões ao México, não gerou o mesmo efeito positivo na economia argentina. Na véspera de eleições cruciais, um anúncio de apoio incondicional à moeda do país pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, não conseguiu estabilizar o peso argentino no longo prazo. Após uma alta inicial, a moeda voltou a cair, e os rendimentos da dívida Argentina em dólares continuam a subir.

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Análise da The Economist sobre a Argentina.

O presidente Javier Milei, conhecido por suas políticas de corte de gastos e controle da emissão monetária, implementou medidas para reverter hábitos fiscais prejudiciais. Teoricamente, o peso argentino agora conta com um respaldo sólido dos Estados Unidos. No entanto, para que essa estratégia de Bessent seja bem-sucedida, seria necessário um compromisso explícito e incondicional para lidar com cenários de instabilidade política e financeira. O resgate oferecido, embora significativo, parece ser um indicativo de um apoio mais limitado.

Até o momento, Bessent autorizou a compra de pesos no valor de US$ 750 milhões e confirmou uma linha de swap de US$ 20 bilhões com o banco central argentino. Esses fundos visam auxiliar Milei em sua tentativa de manter a moeda dentro de um sistema de banda cambial estabelecido em abril, mas o impacto é finito.

Pressão sobre o Peso e Dívida Argentina

A Argentina e os Estados Unidos estão investindo recursos expressivos para fortalecer o peso. Somente em um dia, 6 de outubro, a Argentina teria vendido cerca de US$ 480 milhões. O país enfrenta um volume considerável de dívidas em dólares com vencimento nos próximos meses, demandando pelo menos US$ 18 bilhões em 2026. A incapacidade de honrar esses compromissos pode desencadear um cenário de fuga de capitais e uma desvalorização ainda maior do peso, tornando o pagamento da dívida insustentável.

Sem recursos suficientes, Milei corre o risco de não conseguir evitar uma crise, o que levaria ao Colapso da moeda e à impossibilidade de contrair novos empréstimos.

Reservas Insuficientes e o Papel do FMI

As reservas internacionais da Argentina estão criticamente baixas, dificultando a cobertura das obrigações. Em setembro, o governo dispunha de apenas US$ 2,2 bilhões utilizáveis, com estimativas caindo para US$ 700 milhões em outubro. Grande parte desses fundos é emprestada, refletindo a dificuldade do país em atrair investimentos estrangeiros e aumentar suas exportações.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), principal credor da Argentina, já emprestou o máximo possível, com projeções de apenas US$ 1,5 bilhão em 2026. Para evitar uma corrida cambial, a Argentina necessita de aportes adicionais de outras fontes financeiras. O futuro do peso depende da capacidade do governo em sustentar a moeda e, eventualmente, permitir sua flutuação.

A liberalização cambial total, embora necessária a longo prazo, pode ser impopular, causando uma forte desvalorização do peso e impulsionando a inflação. Milei tem evitado essa medida para não desagradar o eleitorado, especialmente se sua performance política for afetada pelas próximas eleições. A decisão de os Estados Unidos fornecerem mais fundos depende de fatores políticos internos americanos, como a aprovação do Congresso e o contexto eleitoral de Donald Trump.

Fonte: Estadão

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