Investidor brasileiro ignora alta da bolsa e cenário não muda este ano

Gestores apontam que juros altos e isenções fiscais impedem investidor brasileiro de aproveitar alta da bolsa, cenário que deve persistir.

O forte fluxo de estrangeiros para mercados emergentes impulsionou a valorização das ações brasileiras, mas o investidor doméstico não participou ativamente desse movimento. A principal razão apontada por gestores é o alto custo de oportunidade para migrar para ativos de risco, devido aos juros elevados e isenções fiscais.

O que você precisa saber

  • Investidores estrangeiros impulsionaram a bolsa brasileira, mas o investidor local ficou de fora.
  • Juros altos e isenções fiscais elevam o custo de oportunidade para investir em ativos de risco.
  • Gestores acreditam que o cenário de baixa participação do investidor doméstico deve persistir este ano.

Custo de oportunidade e juros altos afastam investidor

Sara Delfim, sócia da Dahlia Capital, destacou que o investidor brasileiro busca o momento ideal de inflação ancorada, situação fiscal resolvida e juros em queda, o que considera um quebra-cabeças complexo. Ela ressaltou a importância da diversificação e de olhar o cenário global, onde o Brasil apresenta vantagens como a exportação de petróleo.

André Lion, CIO da Ibiuna Investimentos, prevê que a volta do investidor doméstico demorará. Ele observa que, enquanto o estrangeiro buscou ativos baratos, o local permaneceu focado nos juros, sem captar a performance da bolsa. Esse padrão, segundo ele, deve se manter ao longo do ano.

Visão dos gestores sobre o mercado

Rodrigo Santoro, da Bradesco Asset, concorda que o investidor estrangeiro continuará a ditar o ritmo do mercado, pois sua percepção sobre a bolsa difere da do brasileiro. A isenção em certos investimentos eleva o custo de oportunidade para pessoas físicas, e a clareza sobre um ciclo prolongado de corte de juros é fundamental. Santoro mencionou que, quando houver um afrouxamento monetário significativo, o investidor poderá hesitar em obter retornos inferiores a 1% ao mês.

Apesar das recentes altas, os gestores consideram que as ações brasileiras não estão caras e permanecem atrativas. Santoro vê oportunidades em setores específicos e um período prolongado de corte de juros, embora a incerteza sobre o conflito no Irã possa impactar esse ciclo. Ele também destacou que o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil deve continuar, especialmente após o fim da guerra, pois o país ainda tem um peso relativamente baixo em carteiras globais.

Cenário político e oportunidades setoriais

Em relação ao cenário eleitoral, Sara Delfim observa mais ruído do que sinalizações concretas, mas considera possível uma vitória da centro-direita. Ela recomenda cautela, evitando apostas extremas, e sugere uma carteira de ações que possa se beneficiar de mudanças, com maior foco em opções para apostas direcionais.

A Bradesco Asset tem adotado uma estratégia de carteira equilibrada, focando em ativos que podem se beneficiar do fechamento da curva de juros e de um cenário potencialmente inflacionário devido aos preços mais altos do petróleo. André Lion, da Ibiuna, aponta os preços de energia como uma certeza em meio às incertezas globais, com o Brent já em patamares mais elevados. Ele aumentou o investimento no setor de energia e vê pouca chance de a guerra no Oriente Médio terminar em curto prazo, o que mantém a atenção voltada para o fluxo de energia e, posteriormente, para o cenário eleitoral.

Fonte: Globo

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