Inflação sobe com guerra no Irã e El Niño ameaça segundo semestre

Projeções de inflação no Brasil sobem com guerra no Irã e risco de El Niño. Mercado revisa IPCA para cima, enquanto governo adota medidas para conter custos.

As projeções de inflação no Brasil estão sendo revisadas para cima devido aos impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã. O conflito no Oriente Médio, iniciado em fevereiro, provocou um salto nas cotações do petróleo, pressionando o custo dos combustíveis.

164581764362192f2bc2f92 1645817643 3x2 md
164581764362192f2bc2f92 1645817643 3×2 md
177430993269c1d22c8ab2a 1774309932 3x2 md
177430993269c1d22c8ab2a 1774309932 3×2 md

Analistas também apontam um risco adicional para a inflação brasileira: a ameaça do evento climático El Niño no segundo semestre. Dependendo de sua intensidade, o fenômeno pode dificultar a produção de alimentos, afetando os preços.

De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, a mediana das previsões do mercado financeiro para o IPCA em 2026 subiu pela quarta semana consecutiva. A estimativa aumentou de 4,31% para 4,36%, aproximando-se do teto da meta de inflação, que é de 4,5%. A projeção vinha de um período de baixa no início do ano, chegando a marcar 3,91% antes dos desdobramentos da guerra.

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, afirma que “É um cenário de pressão de preços muito evidente e que mudou em relação a fevereiro”. Ele projeta IPCA de 4,2% em 2026 e acrescenta que, mesmo que a guerra termine nas próximas semanas, “demora até os preços do petróleo voltarem a patamares anteriores”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou uma proposta de cessar-fogo de duas semanas feita pelo Paquistão, com o compromisso de que o Irã reabra o estreito de Hormuz durante a trégua. O estreito é por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde o início do conflito, o barril de petróleo Brent saltou de US$ 72 para acima de US$ 110, caindo para cerca de US$ 95 com o anúncio do cessar-fogo.

O quadro preocupa o presidente Lula no ano eleitoral. O governo anunciou a criação de uma subvenção extra para o óleo diesel e o gás de cozinha, além de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação. As medidas visam conter a alta dos combustíveis e das passagens aéreas.

Dados da ANP indicam que, desde o início do confronto no Irã, os preços médios da gasolina comum e do diesel S-10 aumentaram cerca de 8% e 24% no Brasil. Há temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um insumo da cadeia produtiva. O transporte de fertilizantes também tem sido afetado.

O economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, considera o cenário preocupante e revisou a estimativa de IPCA para 4,38%, ante 3,8%. Fabio Romão, da Logos Economia, prevê IPCA de 4,8%, contra 4% antes da guerra, argumentando que “o mal já está feito” mesmo que o petróleo arrefeça.

El Niño traz risco adicional

O banco Daycoval revisou sua estimativa de inflação para este ano de 3,8% para 4,2%, adicionando um viés de alta devido ao cenário externo e à probabilidade crescente de El Niño.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico, aumentando o risco de seca no Norte e Nordeste do Brasil e favorecendo chuvas intensas no Sul. Há mais de 80% de probabilidade de ocorrência do fenômeno na segunda metade de 2026, possivelmente a partir de agosto.

Possível reflexo nos juros

O aumento nas previsões de inflação pode reduzir a intensidade do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,75%. A mediana das estimativas do mercado indica Selic de 12,5% ao final do ano.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a “cautela” da instituição na condução da política de juros, em meio às incertezas da guerra. Ele ressaltou que a cautela vem acompanhada de serenidade, permitindo tomar tempo para conhecer melhor o problema e fazer movimentos mais seguros.

Fonte: UOL

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade