O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (7) em alta de 0,05%, aos 188.258,91 pontos, impulsionado por uma reviravolta nos minutos finais de negociação. O índice brasileiro registrou sua sexta alta consecutiva, a terceira abaixo de 0,10%.
A virada do mercado ocorreu após a divulgação de que o Paquistão apresentou uma proposta ao presidente dos EUA, Donald Trump, para adiar em duas semanas o prazo final das negociações de paz com o Irã. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também solicitou ao Irã a reabertura do Estreito de Ormuz como gesto de boa fé.
A notícia aliviou a tensão geopolítica que pressionava os mercados globais durante o dia. Em Nova York, os principais índices fecharam mistos após operarem em forte baixa. Na Europa, as bolsas terminaram no vermelho, pois já haviam encerrado o pregão antes da divulgação da proposta.
Proposta do Paquistão alivia tensões
A declaração inicial de Trump, que previu a morte de uma civilização inteira se um acordo não fosse alcançado, gerou apreensão nos mercados. A incerteza em torno da crise do petróleo, considerada pior do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas pela Agência Internacional de Energia, também contribuiu para a volatilidade.
O Irã, por sua vez, afirmou que não seria flexível enquanto os EUA exigissem rendição completa e ameaçou atacar alvos energéticos. Apesar da retórica, sinais de progresso nas negociações de paz foram percebidos, o que ajudou a acalmar os ânimos.
O preço do petróleo, que chegou a subir mais de 3%, arrefeceru e fechou próximo da estabilidade, refletindo a expectativa de uma resolução diplomática.
Inflação nos EUA e cenário doméstico
Nos Estados Unidos, a inflação esperada pelos consumidores atingiu 3,4% em um ano, adicionando preocupações cotidianas aos investidores. Enquanto isso, no Brasil, o governo federal anunciou medidas para tentar amenizar a alta dos combustíveis, especialmente em ano eleitoral.
A alta do diesel tem efeito cascata sobre fretes, alimentos e transporte, impactando o IPCA. O governo busca evitar um choque inflacionário, considerando que o repasse integral da alta do diesel seria um erro, segundo o Morgan Stanley.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu um recorde de 80,4% em março, impulsionado pela alta renda. Juros futuros elevados e a pressão dos combustíveis aumentam a busca por crédito, enquanto os efeitos do corte da Selic ainda não chegam ao consumidor final. O governo busca auxiliar os endividados com renegociação e restrição do uso de bets.
Ações e mercados
No mercado acionário, a Petrobras (PETR4) caiu 0,88%, enquanto as petroleiras juniores avançaram. A Vale (VALE3) subiu 0,72%, acompanhando a alta do minério de ferro após o feriado chinês.
Os grandes bancos fecharam mistos: BB (BBAS3) subiu 0,04%, Bradesco (BBDC4) ganhou 0,70%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 0,07% e Santander (SANB11) desvalorizou 0,97%.
A MRV (MRVE3) despencou 9,45% após a divulgação de sua prévia do 1º trimestre, com a transferência de clientes para a Caixa frustrando expectativas. A Vivara (VIVA3) desceu 0,88%, apesar da alta do ouro, com analistas apontando resiliência, mas reduzindo o preço-alvo.
O real perdeu terreno, com o dólar comercial subindo 0,33% para R$ 5,164. Os juros futuros (DIs) subiram em toda a curva.
Fontes: Infomoney Moneytimes