A gestora HSI, que administra R$ 13 bilhões em ativos imobiliários, definiu logística e saúde como suas principais prioridades de investimento para o final de 2025 e todo o ano de 2026. Cada um desses setores receberá um aporte de aproximadamente R$ 1 bilhão, proveniente de fundos da própria gestora com captações já realizadas, conforme anunciou o sócio fundador, Max Lima.
Logística: O Impulso do E-commerce
No segmento de logística, o foco da HSI está em galpões localizados a até 30 quilômetros de centros urbanos, ideais para operações de entrega rápida. Max Lima destaca que o setor continuará em expansão, impulsionado pela migração do comércio físico para o eletrônico. Grandes varejistas como Mercado Livre, Amazon e Magalu buscam aumentar sua capilaridade, enquanto novas empresas asiáticas como Shein, Shopee e Temu investem em rápida expansão, levando a um aumento nos preços de locação desses imóveis.
Saúde: Demanda Crescente com o Envelhecimento Populacional
Quanto ao setor de saúde, a HSI prevê uma demanda crescente por serviços médicos nos próximos anos, devido ao envelhecimento da população brasileira. Lima explica: “A demanda vai existir e a elasticidade é baixa. As pessoas deixarão de gastar com outras coisas e vão gastar mais com saúde”. A estratégia da HSI envolve a aquisição de prédios hospitalares, com a operação dos serviços sendo realizada por especialistas. Em 2023, a gestora já adquiriu o Hospital Vera Cruz, em Campinas (SP), e negocia a incorporação de mais dois ou três ativos.
Diversificação e Oportunidades em Outros Setores
A HSI manterá atenção em outras áreas onde já atua, buscando aquisições oportunísticas com preços abaixo do mercado em setores como escritórios, shoppings e hotéis. Max Lima reforça seu princípio de que o ganho se concretiza na compra, dada a imprevisibilidade dos preços futuros.
A gestora também avalia a entrada no mercado residencial, através de parcerias com incorporadoras. A preferência recai sobre o alto padrão, onde não há limites de preço, apesar da alta valorização dos terrenos. O segmento do Minha Casa Minha Vida também é considerado, mas a HSI tem receios sobre a sua saturação e alta concorrência.
Perspectivas para a Taxa Selic e o Mercado Imobiliário
Max Lima expressa otimismo quanto à queda da Taxa Selic no próximo ano, o que considera um fator positivo para o mercado imobiliário. Contudo, ele alerta que a sequência de cortes nos juros pode ser limitada caso haja aumento dos gastos públicos, persistência da inflação e deterioração fiscal. “Acredito no corte dos juros, mas se for algo muito alto, vai dar problema para a economia. Se baixar de 15% para 12% já me deixa assustado. Se deixarem de lado o corte nas despesas públicas, não vai funcionar e o juro vai voltar a subir”, pondera.
Fonte: Estadão