HIV: Nova tecnologia revela pistas sobre células do vírus que persistem no corpo

Nova tecnologia HIV-seq revela pistas sobre células latentes do HIV que persistem no corpo mesmo durante tratamento, abrindo caminho para novas terapias.

Uma nova tecnologia desenvolvida por cientistas ampliou o entendimento sobre as células infectadas pelo HIV que permanecem no corpo humano mesmo durante o tratamento com antirretrovirais. A ferramenta permitiu identificar hipóteses que explicam como essas células do vírus continuam latentes diante da terapia, abrindo caminho para futuras estratégias de tratamento.

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O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, contou com a participação de Nadia Roan, pesquisadora sênior do Instituto Gladstone e professora da Universidade da Califórnia em San Francisco. Ela destaca a importância de compreender o reservatório de células latentes do HIV, pois, após a interrupção do tratamento, essas células frequentemente retornam a um estado replicativo.

Células latentes e seus impactos na saúde

Essas células persistentes são um dos fatores que tornam pacientes vivendo com HIV mais suscetíveis a comorbidades, com menor resposta a vacinas e com envelhecimento precoce. Mesmo com os antirretrovirais impedindo a infecção de novas células, a presença contínua do patógeno afeta negativamente o sistema imunológico ao longo dos anos.

HIV-seq: A nova tecnologia de análise

Anteriormente, a análise precisa das células remanescentes era um desafio. O sequenciamento de RNA de célula única, embora promissor, não funcionava adequadamente para o HIV devido a fragmentos virais não serem bem captados. A solução foi a criação da tecnologia HIV-seq, que identifica especificamente células produtoras de RNA do HIV, detectando o dobro de fragmentos virais por célula em comparação ao método convencional.

Hipóteses sobre a sobrevivência das células latentes

Em uma análise preliminar com três pessoas vivendo com HIV, a HIV-seq permitiu constatar hipóteses sobre a sobrevivência das células latentes. Uma delas sugere que essas células resistem ao processo de apoptose (morte celular natural). Outra característica observada é que elas se ocultam do sistema imunológico, o que contribui para sua longevidade no organismo.

Esse conhecimento pode ser crucial para o desenvolvimento de tratamentos focados nas células latentes, que, combinados aos antirretrovirais, seriam importantes para o controle do HIV. Os medicamentos atuais impedem a disseminação do vírus, mas não eliminam a população de células de longa duração.

Próximos passos e pesquisas futuras

A definição de novos mecanismos terapêuticos demandará mais pesquisas, visto que o estudo atual se concentrou no desenvolvimento e teste experimental da HIV-seq em um pequeno grupo. No entanto, as percepções preliminares podem levar a mecanismos contra as células de longa duração do vírus. Pesquisas exploram, por exemplo, se medicamentos usados contra células cancerígenas, que também resistem à apoptose, poderiam ter efeito similar nas células persistentes do HIV.

Outra linha de investigação busca entender o comportamento das células latentes após a suspensão da terapia. Estudos indicam que dois genes específicos podem manter o vírus latente mesmo sem a ingestão de antirretrovirais. A tecnologia HIV-seq e a compreensão do reservatório de células latentes são passos interligados para avanços no controle do HIV.

Fonte: UOL

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