Guerra eleva riscos inflacionários e desafia bancos centrais

Guerra eleva riscos inflacionários globais, complicando decisões de bancos centrais como o Fed. Economistas alertam para juros mais altos e volatilidade.

A escalada de conflitos geopolíticos, como a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, eleva os riscos inflacionários globais e complica as decisões de política monetária dos bancos centrais. A economista-chefe do BNP Paribas para América Latina, Fernanda Guardado, ex-diretora do Banco Central, destacou que o aumento nos preços do petróleo e gás natural, e seus reflexos em fertilizantes e alimentos, alteram as perspectivas para a inflação.

Guardado observou que a economia dos Estados Unidos demonstra resiliência, o que pode levar o Federal Reserve a reavaliar as decisões de corte de juros do ano passado. “Estamos migrando para um Fed que vai ver riscos mais altistas para a inflação e deve pensar o quão acertadas foram as decisões de queda de juros do ano passado”, afirmou. A especialista prevê um retorno a um cenário de juros mais altos e riscos inflacionários significativos.

No Brasil, a expectativa para o ano é de um “soft landing”, com crescimento econômico próximo ao potencial. No entanto, o cenário global mais volátil exige cautela.

Brasil e a inflação

Tiago Berriel, chefe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual e ex-diretor do Banco Central, apontou que, mesmo antes da guerra, já não havia margem para novos cortes de juros nos Estados Unidos. Ele ressaltou que o Brasil enfrenta desafios inflacionários, com a expectativa de inflação para 2028 desancorada, o que demandaria uma postura mais firme da autoridade monetária.

Choques e política monetária

Carlos Viana de Carvalho, ex-diretor do BC e chefe de pesquisa da Kapitalo Investimentos, enfatizou o aumento da incidência de choques na economia global. Isso força os bancos centrais a fazerem escolhas mais difíceis entre controlar a inflação e sustentar a atividade econômica. “Se o mundo mudou como parece que mudou, a vida dos bancos centrais vai ser muito mais difícil”, alertou.

Cautela na comunicação

Rodrigo Azevedo, sócio fundador da Ibiuna Investimentos e ex-diretor do BC, sugere que a autoridade monetária brasileira deve manter seu plano de calibração, mas executar as decisões com maior cuidado e comunicação mais cautelosa. Os eventos recentes indicam a necessidade de uma abordagem mais prudente diante das incertezas globais.

Fonte: Globo

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade