Guerra no Irã eleva custos de construção e pressiona preços de imóveis novos

Guerra no Irã eleva custos de energia e materiais, pressionando preços de imóveis novos. Especialistas preveem repasse de custos e possíveis atrasos em projetos.

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, com envolvimento de Israel, já projeta um aumento nos preços de imóveis novos. Especialistas do setor imobiliário indicam que a pressão sobre os custos de energia e materiais básicos, como aço, alumínio e cimento, pode encarecer as obras em até 3 pontos percentuais, adicionando tensão às negociações com construtoras e elevando os preços finais para os compradores.

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A duração da guerra é um fator determinante para a magnitude do impacto. Carlos Smerdou, CEO da Foro Consultores Inmobiliarios, estima que incrementos de dois a três pontos percentuais podem ocorrer em áreas com oferta restrita. Relatórios indicam que um conflito prolongado pode elevar os custos de construção em até 10%, somando-se aos aumentos já observados após a pandemia de Covid-19 e a invasão russa da Ucrânia.

Impacto nos custos de construção

Jorge Ginés, diretor-geral da Asprima, calcula que um aumento de 10% nos custos de obra resultaria em um acréscimo de cerca de cinco pontos percentuais no custo total da promoção, que seria repassado ao comprador. Os atuais margens de promotores e construtores são considerados os mais baixos da história, o que justifica a transferência desses custos adicionais.

O preço do petróleo Brent, referência internacional, já subiu mais de 40% desde o início do ataque ao Irã. Leticia Sánchez, da Sociedad de Tasación, alerta que a intensificação do conflito pode afetar o custo de fabricação e transporte de materiais essenciais. Consequentemente, os custos de construção podem aumentar nos próximos meses, levando a possíveis atrasos em projetos e à redução do ritmo de produção de novas moradias.

Subida de preços em 2025 e projeções futuras

As possíveis elevações nos preços de imóveis novos devido à guerra se somam a uma forte alta registrada em 2025, quando o valor da moradia nova subiu 11,3% em relação ao ano anterior. Antes do conflito, esperava-se uma desaceleração nos preços em 2026, com previsões de aumento em torno de 5%.

Ignacio Moreno, CEO da Aurora Homes, reconhece que o aumento de custos será repassado ao preço das moradias, desde que a demanda consiga absorver. Ele acredita que o mercado ainda tem capacidade para tal. Alejandro Bermúdez, da Atlas Real Estate Analytics, aponta que um aumento de 1% no custo da energia pode refletir em um aumento de 0,03% nos custos de construção no mês seguinte, com o impacto total se manifestando em cinco a seis meses.

Atlas estima um aumento de 3,2% nos custos de construção devido ao custo da energia, comparável ao impacto de 4,8% causado pela invasão da Ucrânia em 2022. Esse cenário pode resultar em um aumento adicional de 0,9% a 1,34% nos preços de imóveis novos em um período de 12 a 18 meses.

Desafios para construtores e promotores

Para edificações a serem entregues em 2027 e 2028, o aumento de custos de obra pode levar a reajustes de 8% a 10% nos novos contratos. Pedro Fernández Alén, presidente da CNC, defende um sistema de revisão de preços no setor para lidar com a incerteza dos custos de materiais e transporte. A dificuldade em fechar orçamentos com antecedência é um desafio para o início de novas obras.

A relação entre promotores e construtoras é crucial, especialmente diante da escassez de mão de obra. A preocupação é não asfixiar as construtoras, que serão necessárias para futuros projetos. Fontes da Metrovacesa indicam que o impacto dependerá da duração do conflito, mas o custo de construção, que representa cerca de metade do preço de venda, pode pressionar os valores finais.

A APCEspaña alerta que um conflito intenso e prolongado pode tensionar a viabilidade de novos projetos e reduzir ainda mais a oferta de moradias, impactando a capacidade de pagamento dos compradores.

Fonte: Cincodias

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