A escalada bélica no Irã e o consequente choque energético associado geram incertezas sobre o futuro da economia global. Especialistas alertam para o risco de estanflação, uma combinação de estancamento econômico e inflação, e até mesmo uma recessão global.
O que você precisa saber
- O bloqueio do Estreito de Ormuz e os danos às infraestruturas energéticas do Golfo Pérsico representam a maior perturbação da história do mercado petrolífero.
- Países importadores de energia, especialmente nações pobres e de baixa renda, são os mais expostos aos aumentos de preços de alimentos e fertilizantes.
- A instabilidade geopolítica afeta cadeias de suprimentos globais, elevando custos de frete e prazos de entrega, com riscos para a indústria e o abastecimento de produtos essenciais.
Impacto setorial e regional
A Guerra no Irã tem efeitos assimétricos na economia mundial. Países exportadores de energia, como os Estados Unidos e a Rússia, podem se beneficiar, enquanto a Ásia e a Europa enfrentam maiores dificuldades. Nações com escassas reservas energéticas e dependentes de importações do Golfo estão particularmente vulneráveis. A Espanha, com seu investimento em energias renováveis, e a França, com seu parque nuclear, podem ter uma posição mais resiliente.
Energia e cadeias de suprimentos sob pressão
O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da energia mundial, e os ataques às infraestruturas energéticas do Golfo já causaram uma perturbação sem precedentes no mercado petrolífero. A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta para um déficit de cerca de 10 milhões de barriles de petróleo diários, com riscos de escassez e racionamento. O desvio de navios e o aumento dos custos de frete e seguros impactam as cadeias de suprimentos globais, afetando a indústria e o preço de alimentos e fertilizantes. Produtos essenciais como hélio e enxofre também correm risco de desabastecimento.
Inflação e mercados financeiros em alerta
O aumento dos preços da energia e o encarecimento do transporte tendem a gerar efeitos de segunda ordem na inflação, com possíveis demandas por aumentos salariais. Os bancos centrais enfrentam o dilema de combater a inflação sem agravar a desaceleração econômica. O mercado já precifica possíveis aumentos nas taxas de juros. As bolsas mundiais registraram quedas, e os juros da dívida pública aumentaram. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, aconselha cautela, pois a prolongada guerra pode ativar uma transmissão de choques dos mercados energéticos para os financeiros e, subsequentemente, para a economia real.


Fonte: Elpais