A Guerra no Irã completa cinco semanas sem perspectivas de cessar-fogo, impactando a economia global. O Irã detém uma posição estratégica ao controlar o Estreito de Ormuz, mas o conflito não deve se prolongar por mais de dois meses, segundo observadores.
O cenário já garante um choque significativo na economia mundial, com disrupção na oferta de energia e risco de crise agrícola global devido ao travamento do tráfego de fertilizantes. A inflação deve subir consideravelmente, especialmente nos Estados Unidos, onde os preços da gasolina e do diesel já registraram alta superior a 40%.
A política monetária será afetada, e o crescimento econômico consequentemente será menor. No Brasil, a pressão inflacionária já está instalada, mas o país se beneficia da valorização do real e de sua posição como produtor confiável de petróleo e energia alternativa.
A principal vulnerabilidade brasileira reside na dependência da importação de fertilizantes. No entanto, a demanda atual para o plantio ocorre no Hemisfério Norte, concedendo ao Brasil uma janela de dois a três meses para aguardar uma normalização no suprimento.
A exploração de petróleo na Foz do Amazonas torna-se menos atraente com a guerra, pois a produção só seria relevante por volta de 2035. Após choques energéticos anteriores, o mundo busca maior eficiência energética, acelerando a descarbonização, tendência que a atual regressão energética dos EUA não alterará.
A dependência brasileira de fertilizantes importados é real, mas sua redução exige mais do que vontade política. O Brasil carece de gás natural barato para produzir nitrogenados em escala competitiva, e suas reservas de fósforo e potássio são limitadas. A diversificação de fornecedores é o principal hedge para essa questão.
Fonte: Estadão