Governo prejudica acionista minoritário da Petrobras ao questionar leilões de GLP, diz Adriano Pires

Adriano Pires critica intervenção do governo em leilões de GLP da Petrobras, afirmando que prejudica acionistas minoritários e a receita da empresa.

O governo prejudicou o acionista minoritário da Petrobras ao questionar e ameaçar cancelar os leilões de GLP (gás de cozinha) realizados na última terça-feira, 31, pela empresa, segundo Adriano Pires, fundador da consultoria Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Ele afirma que a Petrobras perde receita e acaba prejudicando o acionista minoritário, pois o leilão de GLP revela o preço verdadeiro do produto no mercado.

O leilão registrou ágios superiores a 100% em relação aos preços normalmente praticados e foi alvo de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a declarar que anularia o certame. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou ter dado início à fiscalização sobre os leilões, e o Ministério de Minas e Energia (MME) comunicou ter solicitado ao Ministério da Justiça a avaliação de possíveis práticas abusivas na comercialização do GLP.

Pires sugere que o governo pode adotar políticas públicas para reduzir o impacto da alta do petróleo, mas critica o financiamento dessas medidas com impostos. Ele defende que o correto seria utilizar recursos de royalties de petróleo para bancar as iniciativas.

Intervenção governamental em leilões de GLP

Pires avalia muito mal o acionamento da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) pelo Ministério de Minas e Energia para avaliar possíveis práticas abusivas na comercialização de GLP. Ele considera uma intervenção em uma política de uma empresa controlada pelo governo, demonstrando um desalinhamento interno sobre como combater o aumento do preço do petróleo e suas consequências para o Brasil.

A declaração do presidente Lula foi considerada pesada, atacando a independência da direção da Petrobras, já que o leilão foi promovido pela própria empresa. O leilão evidenciou a defasagem de preços, com o valor de venda sendo significativamente maior que o da refinaria, mesmo com o barril de petróleo acima de US$ 100 e sem aumentos expressivos no GLP desde que estava a US$ 60.

Impacto financeiro para a Petrobras e acionistas

A Petrobras perde receita ao ser obrigada a vender com preços inferiores aos do mercado internacional. O leilão de GLP é um exemplo claro dessa situação, pois revela o preço de mercado. Pires menciona que empresas privadas estão judicializando a questão, enquanto a Petrobras, por ser a principal exportadora de petróleo, tem sua receita afetada pela criação de impostos, como o imposto de exportação de 12% para financiar subsídios.

Ele argumenta que o governo deveria usar o dinheiro dos royalties, que aumentariam com o barril caro, em vez de criar impostos arrecadatórios. A Petrobras tem a obrigação de aceitar a medida provisória do governo, mas deve judicializar em benefício de seus acionistas.

Políticas públicas e medidas estruturais

Pires afirma que o governo poderia ter evitado a defasagem de preços dos derivados ao aumentar gradualmente os preços à medida que o petróleo subia, como fizeram outros países. Ele propõe que o governo pode zerar o PIS/Cofins e reduzir o ICMS de importação do diesel, dividindo o custo com os Estados, mas ressalta que o financiamento deve vir de royalties, não de impostos.

Ele também sugere medidas estruturais, como aumentar a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, o que diminuiria a dependência de diesel importado e ajudaria na descarbonização. Além disso, propõe o aumento da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) da gasolina e do diesel para criar um colchão financeiro.

Fonte: Estadão

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