Governo Lula busca aliados no Congresso e mira eleição de 2026

Governo Lula busca recompor base no Congresso Nacional com articulação política e distribuição de cargos, mirando apoio em votações prioritárias e eleição de 2026.
base do governo no congresso — foto ilustrativa base do governo no congresso — foto ilustrativa

O Governo do presidente Lula (PT) iniciou uma articulação para recompor sua base de apoio no Congresso Nacional. A estratégia surge após a Demissão de aliados políticos de deputados que votaram contra a medida provisória (MP) que propunha o aumento de impostos, e visa fortalecer o Executivo em votações prioritárias até o fim do ano.

Além disso, o movimento busca consolidar o apoio de parlamentares que demonstram intenção de caminhar com Lula em 2026. O próprio presidente confirmou recentemente sua intenção de disputar a reeleição, visando um quarto mandato.

Desde o dia 10, o governo tem exonerado indicados políticos de deputados que votaram contrariamente à MP, uma resposta direta àqueles que não têm seguido as diretrizes do Palácio do Planalto.

A equipe da ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) está mapeando os cargos vagos e dialogando com lideranças da Câmara dos Deputados para indicar substitutos. Parlamentares têm procurado o Executivo em busca de reaproximação após a Demissão de seus apadrinhados.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sido ouvido no processo de recomposição, assim como líderes de partidos na Câmara. Uma reunião entre Motta e Gleisi ocorreu para tratar do assunto, com a presença também do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ) e do ministro André Fufuca (esporte).

O objetivo é evitar a distribuição de cargos de forma ampla, como ocorreu anteriormente com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que chegou a indicar nomes para o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro. A intenção agora é ter o controle sobre cada indicação para cobrar fidelidade dos aliados em votações cruciais.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que a reaproximação com os partidos é uma diretriz do presidente Lula, buscando repactuar a construção de alianças para aprovação de matérias estratégicas para o país.

Governistas avaliam que essa reacomodação de cargos pode ajudar a diminuir a insatisfação de deputados com o governo, especialmente em relação à baixa execução orçamentária das verbas de apadrinhamento político. Parlamentares se queixam do ritmo de pagamento das emendas, especialmente em ano eleitoral.

Um integrante da cúpula da Câmara reconhece que a recomposição não será fácil, pois o Planalto precisa dos votos do centrão e deve demonstrar mudanças de postura para atrair deputados. Há, no entanto, uma disposição ao diálogo, mesmo de parlamentares que perderam indicações ou se afastaram do Executivo.

A avaliação é que o governo terá mais facilidade em recompor sua base por meio do pagamento de emendas parlamentares do que com a distribuição de cargos. Aliados de Lula indicam que o governo fará uma força-tarefa para agilizar a liberação de emendas até o final da semana, visando aprovar propostas alternativas à MP ainda em outubro.

A recomposição da base ocorrerá gradualmente até o fim do ano, atrelada às votações de interesse do Executivo, especialmente as pautas do chamado pacote eleitoral, como a que cria o Gás do Povo.

Um líder do centrão expressa desconfiança, questionando se o Executivo busca recompor a base ou aumentar o tensionamento com o grupo, visando as eleições de 2026. Ele alerta para o risco de misturar a busca por governabilidade com o processo eleitoral, pois partidos do centrão podem ter candidaturas próprias.

Fonte: Folha de S.Paulo

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