Governo espanhol se distancia de saídas de presidentes da Indra e Telefónica

Governo espanhol se distancia de saídas de presidentes da Indra e Telefónica, alegando decisões empresariais e governança corporativa.

O Governo espanhol se distanciou das críticas da oposição sobre as formas utilizadas para as substituições nas presidências da Indra e da Telefónica, empresas cujos acionistas majoritários são estatais. Segundo respostas parlamentares enviadas ao Congresso dos Deputados, o Executivo se desmarca dos processos de saída de José María Álvarez-Pallete e Ángel Escribano, enquadrando-os em processos de governança usuais em empresas de capital aberto.

Fontes indicam que ambos os executivos deixariam a presidência executiva de companhias estratégicas após serem convocados ao Palácio da Moncloa, onde teriam sido informados da intenção do Governo de que abandonassem seus cargos. Oficialmente, porém, o Governo não comenta essas reuniões.

Ao ser questionado sobre os encontros realizados em janeiro e fevereiro de 2025 e 2026, o Executivo optou por não responder a perguntas de deputados. O Governo afirma que a Indra é uma empresa de capital aberto e que qualquer decisão é tomada dentro de seus procedimentos de governança, respeitando as decisões empresariais dos acionistas.

A resposta ao Parlamento ocorreu em março, pouco antes de Ángel Escribano apresentar sua renúncia. Na ocasião, a SEPI, principal acionista da Indra, enviou um comunicado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) tratando de forçar a saída de Escribano, alegando conflito de interesse na aquisição de uma empresa de sua propriedade.

Em março, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, declarou que a SEPI trabalhava para resolver o conflito de interesse. A ação da Indra apresentou forte volatilidade desde que começaram as especulações sobre a possível saída de Escribano, caindo de quase 65 euros por ação para menos de 50 euros.

Decisão empresarial

No caso da saída de José María-Álvarez Pallete da presidência da Telefónica, o Governo foi ainda mais enfático. O Executivo respondeu ao Parlamento que se trata de uma decisão empresarial, adotada pelos órgãos de governo da empresa e em conformidade com as regras de mercado e de boa governança corporativa. A saída de Pallete foi precedida por uma reunião em La Moncloa, onde a decisão lhe foi comunicada.

Na reunião estiveram presentes o responsável por assuntos econômicos do presidente do Governo, Manuel de la Rocha, e Ángel Simón, então CEO da Criteria Caixa. Marc Murtra, que era presidente da Indra, substituiu Pallete na Telefónica. Para a presidência da Indra, foi escolhido Ángel Escribano. A saída de Escribano levou a SEPI a propor Ángel Simón como presidente da Indra.

A substituição de Murtra por Pallete foi questionada por consultorias de investimento, que recomendaram votar contra o nome de Murtra na junta de acionistas de 2025, citando preocupações sobre a falta de transparência nas mudanças de liderança e a possível interferência do Governo na governança de empresas de capital aberto.

Na junta geral de acionistas da Telefónica, realizada em março, investidores institucionais, incluindo grandes fundos internacionais, deram um voto de desaprovação à indenização acordada para José María Álvarez-Pallete em sua saída da companhia. O executivo recebeu um total de 44,5 milhões de euros.

O Partido Popular, principal partido de oposição, também criticou o Governo pelos movimentos em empresas controladas pela SEPI, acusando o Executivo de colocar em risco a credibilidade da Indra e de agir ao seu livre arbítrio.

Fonte: Elpais

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