Países emergentes dependem cada vez mais de fundos de hedge, fundos de pensão e seguradoras para seu financiamento externo. Essa mudança, apontada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu relatório de Estabilidade Financeira Global, eleva a vulnerabilidade dessas nações a saídas rápidas de capital em momentos de crise.






A parcela de recursos destinada à dívida de emergentes proveniente de investidores de portfólio dobrou nos últimos 20 anos, alcançando 80%. Esse cenário se intensificou após a crise financeira de 2008, quando bancos reduziram a concessão de empréstimos, levando os emergentes a receberem cerca de US$ 4 trilhões em entradas acumuladas desde então.
Fontes de financiamento e seus riscos
Embora essa fonte de dinheiro tenha beneficiado os mercados emergentes ao permitir a captação de recursos a custos mais baixos e prazos mais longos, o FMI adverte sobre a maior cautela e propensão à retirada rápida de capital por parte desses investidores quando as condições financeiras globais se alteram.
Países e empresas que dependem desses fluxos tornam-se “particularmente vulneráveis aos choques financeiros globais”, conforme o relatório. Fundos de hedge e fundos de investimento demonstraram maior reatividade ao risco em comparação com outros investidores de portfólio.
Impactos e recomendações do FMI
O FMI alerta que uma queda abrupta nesses fluxos pode intensificar pressões de financiamento externo, elevar spreads corporativos e soberanos e provocar fortes desvalorizações cambiais. Os passivos da dívida externa de portfólio representam, em média, 15% do PIB nos mercados emergentes, enquanto os passivos de ações somam cerca de 7% do PIB, mas com participação significativa na capitalização de mercado em algumas nações.
Para mitigar esses riscos, o Fundo recomenda que os países aprimorem a qualidade institucional, fortaleçam suas reservas cambiais e assegurem a sustentabilidade da dívida pública. O FMI também observou a rápida expansão do crédito privado transfronteiriço e dos fluxos de stablecoin para os mercados emergentes.
Fonte: Moneytimes