O Fundo Monetário Internacional (FMI) solicitou ao Banco do Japão (BoJ) que prossiga com o aumento das taxas de juros, citando os “novos riscos significativos” que a guerra no Oriente Médio representa para as perspectivas econômicas do país.
A recomendação surge em um momento de expectativas do mercado de que o BoJ eleve suas taxas já em abril. Essa possibilidade é impulsionada pela crescente pressão inflacionária decorrente do aumento dos preços do petróleo, intensificado pelo conflito no Oriente Médio, e pelos custos de importação mais altos associados à desvalorização do iene.
O FMI prevê que o crescimento econômico japonês será moderado, em parte devido ao conflito, mas espera que os ganhos graduais de salários sustentem o consumo. A inflação, segundo o Fundo, deve convergir para a meta de 2% do BoJ em 2027.
Em comunicado, o conselho executivo do FMI elogiou a “forte resistência econômica” do Japão e concordou que o BoJ está retirando adequadamente a acomodação monetária. Os diretores observaram que, à medida que a inflação subjacente se aproxima da meta, aumentos graduais nas taxas em direção à neutralidade devem continuar, seguindo uma abordagem flexível, bem comunicada e dependente de dados.
O BoJ encerrou seu programa de estímulo massivo em 2024 e realizou aumentos nas taxas de juros, incluindo um em dezembro, sob a premissa de que o Japão estava próximo de atingir de forma duradoura sua meta de inflação de 2%.
O banco central japonês sinalizou sua disposição em continuar elevando as taxas, antecipando que a inflação subjacente convergirá para sua meta entre a segunda metade do ano fiscal de 2026 e o ano fiscal de 2027. O ano fiscal japonês inicia em abril.
Embora o aumento dos preços do petróleo tenha impactado a economia japonesa, que é dependente de importações, os formuladores de política monetária do BoJ expressaram preocupação com o potencial de aumento das pressões inflacionárias, em meio a anos de ganhos salariais consistentes e aumentos de preços mais amplos.
Fonte: Globo