O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emerge como uma figura central na articulação de um “rápido retorno” da família Bolsonaro à política brasileira, com vistas às eleições presidenciais de 2026. Avaliado pelo Financial Times como um candidato “altamente competitivo”, Flávio busca moderar sua imagem e capturar pautas de economia e segurança pública.
A família Bolsonaro enfrentou um cenário adverso no final do ano passado, com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e a saída de Eduardo Bolsonaro do Congresso. Nesse contexto, Flávio assume a dianteira dos interesses políticos familiares, apresentando uma plataforma que mescla posições de direita em questões sociais e de segurança com uma visão de centro-direita para a economia.
O desafio da ‘sombra’ paterna
Apesar de buscar manter a base eleitoral do pai, Flávio Bolsonaro terá o desafio de demonstrar independência para conquistar outros eleitores. Ele relata que, em seu escritório em Brasília, evita sentar-se na cadeira que pertencia ao pai, comparando a situação a “comparar o filho de Pelé com o próprio Pelé”.
Em relação ao plano econômico, Flávio Bolsonaro sinaliza a intenção de reduzir impostos e promover privatizações, com a premissa de que cortes de gastos levariam à diminuição das taxas de juros. Contudo, o mercado empresarial demonstra ceticismo quanto à sua disposição para implementar decisões orçamentárias rigorosas.
Críticas ao governo atual e propostas
Flávio Bolsonaro, aos 44 anos, busca projetar um perfil mais jovem em contraste com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele critica as ideias de Lula como “ultrapassadas” e expressa preocupação com a aproximação do governo brasileiro com a China, considerando-a prejudicial aos interesses dos Estados Unidos.
O senador também defende a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes gerais e para 14 anos em casos de homicídio e estupro, reforçando seu posicionamento em segurança pública.
Histórico e campanha eleitoral
A campanha de Flávio Bolsonaro deve enfrentar questionamentos sobre seu passado, incluindo o “escândalo das rachadinhas”, que foi arquivado judicialmente. Ele também já foi alvo de escrutínio por supostas ligações com indivíduos ligados a milícias, alegações que ele nega.
Apoiadores de Lula veem Flávio Bolsonaro como um representante da “extrema direita” e não de uma forma moderada do bolsonarismo. A campanha de Lula pretende destacar o histórico do senador, lembrando também de sua campanha para a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, considerada um “desastre”.
Fonte: Globo