O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (29) um corte de 0,25 ponto porcentual nas taxas de juros, para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano. Esta é a segunda redução consecutiva no atual ciclo de flexibilização monetária, realizada em meio à paralisação da máquina pública americana, conhecida como shutdown.
Apesar da expectativa do Mercado, o Fed não garantiu que repetirá a ação em dezembro. O presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que a decisão futura dependerá da evolução dos dados econômicos, comparando a situação a um motorista dirigindo em meio a um nevoeiro, onde a prudência sugere a redução da velocidade.
Contexto da Decisão em Meio ao Shutdown
A decisão de cortar os juros ocorreu simultaneamente ao shutdown, que já se estende por 29 dias e impacta a divulgação de dados econômicos cruciais para a maior economia do mundo. Apenas a inflação ao consumidor (CPI) de setembro foi divulgada, mostrando uma alta abaixo das projeções.
Powell explicou que as perspectivas para o emprego e a inflação não sofreram grandes alterações desde a reunião de setembro. Ele observou que as condições no mercado de trabalho parecem estar esfriando gradualmente, mas a inflação permanece um pouco elevada.
“As perspectivas para o emprego e a inflação não mudaram muito desde nossa reunião em setembro. As condições no mercado de trabalho parecem estar esfriando gradualmente, e a inflação permanece um pouco elevada”, declarou Powell em Coletiva de Imprensa.
Sinal de Cautela para Dezembro
Powell afirmou categoricamente que um novo corte de juros em dezembro “não é uma conclusão inevitável, longe disso”. Ele ressaltou que a política monetária não segue um curso predefinido, sugerindo a possibilidade de uma pausa no ciclo de cortes. Essa fala gerou interpretações no mercado de que as chances de um corte em dezembro diminuíram, embora ainda seja o cenário base para muitas casas de análise.
Economistas de instituições como Morgan Stanley, Pimco, Capital Economics e ING, no entanto, mantêm a previsão de uma nova redução de 0,25 ponto-base na última reunião do ano. Tiffany Wilding, economista da Pimco, considera a decisão de dezembro “difícil” e dependente de novos dados que confirmem a deterioração contínua do mercado de trabalho.
Michael Pearce, economista da Oxford Economics, avalia que Powell sinalizou explicitamente uma pausa entre as reuniões e que o Fed pode manter os juros estáveis até março, enquanto os riscos para o mercado de trabalho diminuem. “Há um coro crescente agora de sentimento de que, talvez, este seja o ponto onde deveríamos pelo menos esperar um ciclo (antes de retomar cortes)”, acrescentou Powell.
Divergências Internas e Impacto das Tarifas
A própria decisão de outubro não foi unânime, com dois votos dissidentes: Stephen Miran defendeu um corte de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey Schmid, presidente da distrital de Kansas City, votou pela manutenção das taxas. Powell minimizou as divergências, classificando-as como normais diante das circunstâncias desafiadoras.
O presidente do Fed também mencionou o impacto potencial das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump na inflação americana. Segundo ele, as tarifas podem gerar um aumento adicional, mas “modesto”, na inflação, à medida que percorrem a cadeia de produção até chegar aos consumidores.
Adicionalmente, o Fed anunciou que encerrará o processo de redução de seu balanço patrimonial de US$ 6,6 trilhões, conhecido como aperto quantitativo (QT), a partir de 1º de dezembro. Essa medida, embora esperada por alguns, foi realizada em linha com as expectativas do mercado e de instituições como o ING.
Fonte: Estadão