Ações do Poder Público que resultam em mortes, intencionais ou não, devem ser analisadas com rigor e desconfiança quanto às suas premissas e métodos. Quando tais ações se repetem por décadas sem qualquer proveito aparente, a constatação é que não se trata de mera repetição equivocada.
Trata-se, na verdade, da conjunção de dois fatores: a ausência de capacidade técnica para lidar com inteligência e a explícita opção pela exploração política do caos. Os alvos primários dessas ações são, frequentemente, parcelas da sociedade marcadas pela exclusão.
A Importância da Inteligência na Segurança Pública
A inteligência, neste contexto, refere-se ao conjunto de informações confirmadas, confiáveis e úteis para orientar a ação das agências públicas. Este modo de agir pressupõe uma estratégia de enfrentamento de situações sociais que exigem urgência ou emergência.
No âmbito da segurança pública, a Falta de estratégia e inteligência é notória, especialmente na reiteração de fatos históricos normalizados em diversos segmentos da sociedade brasileira.
Mesmo leigos podem intuir que, em se tratando de atividade criminosa voltada à obtenção de vantagens patrimoniais, a estratégia mais direta e menos custosa socialmente é atingir o Lucro obtido com os crimes.
Com a digitalização do capital e o uso de moedas digitais, a perseguição do lucro ilícito tornou-se tão ágil quanto sua circulação. Com expertise adequada, a mesma rapidez da dissimulação do ilícito permite localizá-lo, bloqueá-lo e recuperá-lo.
É significativamente simples comparar a ineficiência de incursões policiais violentas em comunidades carentes com a atuação silenciosa de pesquisas técnicas que atingem o cerne do enfrentamento: a fruição econômica do provento do crime.
Estratégias para Combater o Crime Organizado
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, por exemplo, reforça a necessidade não apenas de bloquear os proventos do crime, mas de fiscalizar todos os elos da cadeia produtiva da atividade criminosa, seja por meios tributários ou administrativos, em uma detecção preventiva de possíveis ilícitos.
Exploração Política do Caos na Segurança Pública
O segundo aspecto a ser considerado é a exploração política do caos instalado. O não investimento em educação, perpetuando a ignorância, é visto como um projeto de poder. Da mesma forma, a manutenção de falidas estratégias de segurança pública também serve a esse propósito.
A desconfiança inicial deve ceder lugar a uma rigorosa análise crítica das reais intenções por trás da manutenção proposital do fracasso das políticas de segurança. As perguntas corretas, quando feitas, levarão às respostas corretas.
Uma pista para esse caminho é a perpetuação de segmentos políticos que se aproximam de centros de práticas criminosas em investigações e processos. Outra é a apropriação casuística da desgraça social instalada para obter proveito. Ambas as situações se retroalimentam.
Fonte: Estadão