Ex-procurador do INSS revela medo em depoimento na CPI e questiona afastamento

Ex-procurador do INSS relata medo de depor em CPI sem habeas corpus e questiona afastamento. Entenda os detalhes do depoimento.
Ex-procurador INSS CPI medo habeas corpus — foto ilustrativa Ex-procurador INSS CPI medo habeas corpus — foto ilustrativa

O ex-procurador-chefe do INSS, Virgílio Oliveira Filho, expressou receio em comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sem a concessão de um habeas corpus pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux. A decisão judicial garantiu o direito de permanecer em silêncio durante seu depoimento.

Oliveira Filho relatou que o clima em outras oitivas na CPI foi “deveras hostil” e “desproporcional”, com a percepção de que os depoentes já eram tratados como condenados, sujeitos apenas a uma “humilhação pública”. A declaração surgiu em resposta a uma pergunta do deputado federal Fernando Rodolfo (PL-PE), que questionou se o receio de depor sem o habeas corpus permitiria ao ex-procurador “não fazer um compromisso com a verdade aqui”.

Apesar de ter o respaldo do STF para não responder a todos os questionamentos, Oliveira Filho decidiu responder a parte das perguntas. No entanto, ele se esquivou de detalhar os valores recebidos por sua esposa, a médica Thaísa Hoffmann, cujas empresas foram pagas por firmas de Antonio Carlos Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, por serviços de consultoria.

Thaísa Hoffmann, que também prestou depoimento à comissão, manteve-se em silêncio na maior parte da sessão. Em um dos poucos momentos em que se pronunciou, ela afirmou possuir documentos que comprovam a prestação de serviços às empresas do “Careca do INSS”. “Deputado, eu prestei o meu trabalho. Foram anos de trabalho para chegar onde eu cheguei, noites mal dormidas, mesmo grávida. Eu prestei o meu trabalho. A verdade vai aparecer. Eu tenho documentos comprobatórios e todo material que foi enviado do trabalho que foi prestado”, declarou ao relator da CPI do INSS, Alfredo Gaspar (União-AL).

Virgílio Oliveira Filho reiterou que enviará à Polícia Federal documentos que explicam os repasses às empresas de sua esposa, mas se recusou a responder diretamente sobre os valores.

Afastamento da Procuradoria-Geral do INSS

O ex-procurador também considerou injusto seu afastamento da Procuradoria-Geral do INSS, ocorrido por decisão judicial no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação “Sem Desconto”. “Na minha opinião, foi injusto, mas não cabe a mim opinar sobre quem deu a decisão”, afirmou.

Trajetória em Cargos Comissionados

No início de seu depoimento, Oliveira Filho negou ter sido apadrinhado por políticos. Ele destacou que ocupou cargos comissionados em diferentes gestões, incluindo governos do PT, Michel Temer e Jair Bolsonaro. “Reitero que todos os cargos por mim assumidos, os cargos em comissão, foram de indicações técnicas. Não sou político, não tenho padrinho político, sou apartidário e sempre desempenhei minhas funções com base na Constituição e sem questões políticas”, declarou.

Fonte: Estadão

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