Ángel Escribano apresentou sua renúncia ao cargo de presidente da empresa de defesa Indra em um conselho de administração extraordinário. A decisão ocorre duas semanas após o cancelamento da integração entre sua firma familiar, Escribano Mechanical & Engineering (EM&E), e a própria Indra, da qual possui 14%. O Governo havia solicitado o fim do conflito de interesses de Escribano antes de prosseguir com a operação. Em seu lugar, a estatal Sociedad Estatal de Participaciones Industriales (SEPI), principal acionista da companhia, propôs Ángel Simón, ex-conselheiro delegado de Criteria Caixa.
Em carta enviada à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), Escribano declarou que os acontecimentos recentes geraram uma situação que ameaça comprometer os objetivos essenciais para o futuro de Indra e do setor. Ele afirmou que, fiel aos valores de responsabilidade e lealdade, não poderia permitir que sua continuidade interferisse na estabilidade da companhia, seus profissionais e a confiança dos investidores.
O empresário relembrou que o objetivo de sua presidência, que durou pouco mais de um ano, foi posicionar a Indra como motor principal da indústria de defesa, criando a divisão Indra Land Vehicles, focada em plataformas militares terrestres. Ele expressou orgulho pelo realizado na companhia e agradeceu o apoio do conselho de administração e da equipe de profissionais.
Dentro do conselho, além da SEPI, a Sapa também se posicionou contra a permanência de Escribano. A Amber Capital, por outro lado, sempre apoiou os Escribano e a integração com a EM&E. Ángel Escribano deixará também de ser membro do conselho de administração.
Até então, Ángel Escribano resistia às pressões do Governo para deixar o cargo em uma empresa vista como estratégica para o setor de defesa europeu. Ele chegou a ser convocado ao Palácio de La Moncloa para ser convencido a renunciar, mas optou por permanecer, amparado pelo apoio de parte do acionariado. A companhia registrou o maior crescimento do Ibex 35 no ano anterior, com uma alta de 184%.
A convocação do conselho extraordinário ocorreu no meio da semana, com a renúncia de Escribano como pauta principal. A notícia gerou alta volatilidade nos mercados, com uma queda inicial seguida por uma recuperação, fechando o dia com alta de 3,13%.
Substituição e cenário futuro
Ángel Simón, ex-conselheiro delegado de Criteria Caixa, é o provável substituto de Escribano. Sua saída de Criteria em abril de 2025 foi vista como um movimento inesperado pelo mercado. Simón era responsável por liderar a reorientação estratégica do holding de investimentos.
Desde sua saída de Criteria, seu nome foi cogitado para liderar empresas estatais, dada sua boa relação com o atual Executivo. Simón participou de reuniões importantes, incluindo uma em que se despediu o ex-presidente da Telefónica, José María Álvarez-Pallete. Na mesma reunião, estava Manuel de la Rocha, figura chave na nomeação de Escribano e em sua posterior saída.
Outros nomes considerados para a presidência incluíam José Vicente de los Mozos, atual conselheiro delegado da Indra, que se distanciou de Escribano devido ao conflito com a SEPI. De los Mozos havia afirmado que a operação com a EM&E já estaria concluída se Escribano não fosse o presidente. Outro nome mencionado foi o de Raül Blanco, atual responsável pela estratégia da Sapa e ex-presidente da Renfe.
Fonte: Elpais