A energia renovável representou quase 50% da capacidade de eletricidade mundial no ano passado, impulsionada por um aumento recorde nas instalações solares. A capacidade global de energia renovável atingiu um pico de 5.149 GW (gigawatts) no final de 2025, um acréscimo de 692 GW em relação a 2024, segundo dados da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).


O crescimento foi liderado por um salto na capacidade solar, que aumentou 511 GW em 2025, totalizando 2.392 GW, consolidando sua posição como a principal fonte renovável global. Os números superam o crescimento de 116 GW na capacidade de energia de combustíveis fósseis, elevando a participação das renováveis na capacidade global de eletricidade para 49,4% em 2025, comparado a 46,3% no ano anterior. Além disso, 85,6% da capacidade de energia adicionada no mundo no ano passado provieram de fontes limpas.
Meta de triplicação em direção a 2030
Mais de cem países na cúpula climática COP28, em 2023, concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável até 2030. O diretor-geral da Irena, Francesco La Camera, indicou que as adições do ano passado aproximam o setor da meta. “Esses 700 gigawatts significam que podemos estar bem perto em 2030 da meta de triplicar, não exatamente o triplo, mas muito perto disso”, afirmou.
A taxa de crescimento anual da capacidade renovável em 2025 subiu para 15,5%, superior aos cerca de 15,1% registrados em 2024. Grupos de energia renovável apontaram no ano passado que atingir a meta até 2030 exigiria um crescimento anual de 16,6% entre 2025 e 2030.
Expansão e disparidades geográficas
As novas instalações de energia eólica totalizaram 159 GW, elevando a capacidade total instalada para 1.291 GW. A capacidade representa a quantidade máxima de energia que as usinas podem produzir, embora a geração real possa ser menor.
Dados anteriores do think tank Ember indicaram que fontes de energia renovável geraram mais eletricidade do que o carvão globalmente pela primeira vez no primeiro semestre de 2025. No total, as renováveis forneceram 34% da eletricidade global.
A Irena destaca, contudo, disparidades significativas na expansão da energia limpa. China, EUA e União Europeia foram responsáveis por 79,5% do aumento de capacidade instalada em 2025, enquanto a África representou apenas 1,6%.
Impacto de conflitos e discussões energéticas
O conflito no Oriente Médio e a crise no fornecimento de petróleo impulsionaram a indústria de energia limpa, que havia sido afetada pela descrença de alguns líderes com o tema e pela volatilidade dos mercados globais. Com dificuldades de importação de combustíveis, países europeus implementaram limites de uso, reforçando a necessidade de ampliar a capacidade de energia limpa local.
A ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, defendeu a discussão sobre a produção de energia nuclear no país, citando a dependência do gás natural como um fator limitante. “Podemos decidir que não estamos interessados. Então ficamos com o gás e nos tornamos mais dependentes de uma única fonte de energia. Ou podemos dizer que estamos interessados em tecnologia novamente”, afirmou Reiche.
Fonte: UOL