Arizmendiarrieta: O Legado da Empresa Humanista no Século XXI

Descubra o legado de José María Arizmendiarrieta e o conceito de Empresa Humanista, que prioriza o bem-estar e o propósito no ambiente corporativo.

O ano corrente celebra o Arizmendiarrietaren Urtea, marcando 50 anos desde o falecimento de José María Arizmendiarrieta, figura proeminente do empresariado basco no século XX. Sacerdote de ofício, Arizmendiarrieta foi o arquiteto e líder da renomada Experiência Cooperativa de Mondragón. Em 2024, os grupos cooperativos e cooperativas individuais originados desta iniciativa registraram um faturamento superior a 14,3 bilhões de euros, empregando quase 87.000 pessoas globalmente.

Para Arizmendiarrieta, o cooperativismo transcende a mera forma jurídica, configurando-se como um humanismo. Sua abordagem pragmática, focada em realizar o bem possível, encontrou no modelo cooperativo dos anos 60 a via para aplicar os princípios do humanismo cristão no ambiente corporativo. Estes princípios incluem a dignidade humana igualitária, a primazia do bem comum sobre interesses individuais, o desenvolvimento integral dos trabalhadores, sua participação na gestão e propriedade, e o engajamento com a comunidade local.

Essa visão o posiciona como um precursor do conceito de Empresa Humanista. Embora alguns possam encarar tal termo como um paradoxo, destinado a enganar, outros o veem como uma resposta necessária ao avanço tecnológico, especialmente com o advento da inteligência artificial. Essa corrente defende a valorização das qualidades humanas genuínas como diferencial competitivo no mercado.

Essa perspectiva de empresa humanista ganha força no ocidente. Profissionais contemporâneos, além de buscarem boas condições financeiras, anseiam por um propósito em seu trabalho. Crescendo em um ambiente digital colaborativo e baseado em reputação, eles exigem que suas empresas ofereçam um sentido maior para suas atividades.

Mesmo nos Estados Unidos, tradicionalmente focado no lucro individual e corporativo, especialistas em gestão ressaltam a importância de as empresas gerarem valor social para garantir sua sustentabilidade a longo prazo. A definição de um propósito empresarial não é efêmera, mas uma tendência que reflete a busca humana por significado. Essa orientação é endossada por acadêmicos de instituições como Harvard e INSEAD, e pela experiência de CEOs notáveis.

Gary Hamel, professor de Harvard, cunhou o termo “humanocracia” em contraposição ao modelo burocrático, defendendo organizações que valorizem o potencial humano. Ele aponta que apenas cerca de 20% dos profissionais se sentem engajados com os objetivos de suas empresas, frequentemente devido a estilos de liderança inadequados. O empoderamento e a responsabilidade, por outro lado, são fatores cruciais para o comprometimento e o desempenho dos funcionários.

Frederic Laloux, em seu livro “Reinventar as Organizações”, propõe um novo modelo empresarial baseado na autogestão, na integridade pessoal e em um propósito evolutivo. Ele sugere que é possível criar organizações que promovam o bem-estar dos colaboradores e assegurem a sustentabilidade econômica. Laloux enfatiza que a sobrevivência das empresas e da própria espécie humana depende de níveis de consciência mais elevados e de novas formas de colaboração.

Paul Polman, ex-CEO da Unilever, relata em “Impacto Positivo” como uma mudança cultural focada em propósito resultou em um aumento de 290% para os acionistas, enquanto a empresa liderava em sustentabilidade global. A aplicação prática dos valores da Empresa Humanista exige sistemas de gestão coerentes. O Modelo Inclusivo Participativo de Empresa, aprovado nos parlamentos navarro e basco, pode servir como base para uma proposta concreta que honraria o legado de Arizmendiarrieta.

Fonte: Elpais

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