Argentina: Eleições Decisivas para a Economia e o Futuro de Milei

Eleições legislativas na Argentina decidem o futuro econômico do país. Saiba o que está em jogo para Javier Milei, o peso argentino e o apoio dos EUA.

As eleições legislativas na Argentina, que ocorrem neste domingo (26), representam um momento crucial para o futuro econômico do país. Em um cenário de forte desvalorização da moeda e escassez de reservas em dólares, o Governo de Javier Milei busca fortalecer sua bancada no Congresso para viabilizar a execução de um ambicioso pacote de ajuda financeira dos Estados Unidos. Este apoio, no entanto, tem sido condicionado ao desempenho eleitoral do partido oficialista.

Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu Javier Milei na Casa Branca e anunciou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões. Trump, no entanto, ressaltou que o apoio financeiro de Washington estaria atrelado ao resultado eleitoral de domingo. “Se ele perder, não seremos generosos com a Argentina. Nossos acordos estão sujeitos a quem vencer a eleição”, declarou Trump.

O swap cambial é um acordo temporário entre países para troca de moedas, utilizado para aumentar as reservas internacionais e estabilizar a economia local. Ao final do prazo, as moedas são devolvidas com ajustes. Essa medida visa aliviar a escassez de dólares que assola a Argentina.

Javier Milei discursando em Davos, Suíça, em janeiro de 2025.
Javier Milei discursando em Davos, Suíça, em janeiro de 2025.

Apesar das declarações iniciais de Trump, a política externa americana em relação à Argentina mostrou nuances. Dias depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou intervenções nos mercados para compra de pesos, como parte das medidas de apoio financeiro. Bessent afirmou que os EUA continuarão a apoiar a Argentina financeiramente, desde que o governo de Milei mantenha “boas políticas”, independentemente do resultado das eleições parlamentares. Ele também informou que o governo Trump trabalha com bancos e fundos para criar uma linha de crédito adicional de US$ 20 bilhões para investir na dívida soberana argentina. Com isso, a ajuda total dos EUA poderia atingir US$ 40 bilhões.

O Banco Central da Argentina confirmou o recebimento do socorro inicial de US$ 20 bilhões, mas os detalhes sobre a efetivação da operação ainda não foram divulgados.

Crise Política e Tremor nos Mercados

Javier Milei tem enfrentado uma severa crise política interna, intensificada por um suposto escândalo de corrupção envolvendo sua irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei. Um áudio vazado por um ex-aliado acusa Karina e o subsecretário de Gestão Institucional, Eduardo “Lule” Menem, de cobrarem propinas de indústrias farmacêuticas para a compra de medicamentos públicos.

O impacto dessa crise política foi sentido diretamente nos mercados. Em setembro, após uma dura derrota eleitoral na província de Buenos Aires, que representa quase 40% do eleitorado nacional, os títulos públicos, ações de empresas e o peso argentino sofreram fortes quedas. A inflação do país também foi afetada, prejudicando a imagem do governo.

O pessimismo dos investidores reside na preocupação de que, sem apoio político suficiente, a agenda de cortes de gastos e reestruturação fiscal de Javier Milei possa encontrar obstáculos intransponíveis. Na sexta-feira (24), véspera da eleição, o peso argentino fechou em seu pior patamar desde o início da gestão Milei, cotado a 1.492,45 por dólar.

O que está em Jogo no Congresso Argentino?

As eleições legislativas deste domingo colocam em disputa metade da Câmara dos Deputados (127 cadeiras) e um terço do Senado (24 cadeiras). Atualmente, o movimento peronista detém a principal força de oposição em ambas as casas, com aproximadamente metade de seus assentos na Câmara em disputa.

O partido de Milei, La Libertad Avanza, possui uma bancada modesta, com apenas 37 deputados e seis senadores. As disputas mais acirradas ocorrerão na província de Buenos Aires. Analistas apontam que um desempenho acima de 35% dos votos para o partido de Milei seria um sinal positivo, superando os 30% obtidos no primeiro turno presidencial de 2023. Uma marca próxima de 40% seria considerada uma “eleição muito boa”.

Caso a eleição de 2025 indique um declínio na influência de Milei, os investidores podem começar a considerar alternativas políticas de centro ou centro-esquerda para as eleições de 2027. Para garantir a capacidade de vetar projetos e impedir derrubadas de suas propostas, o partido de Milei necessitaria de cerca de um terço dos votos na Câmara e no Senado. Para alcançar essa meta, a formação de alianças estratégicas, como com o partido PRO, liderado pelo ex-presidente Mauricio Macri, torna-se fundamental.

Fonte: G1

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