O dólar à vista encerrou o pregão desta sexta-feira em leve queda, refletindo a desvalorização global da moeda americana. Agentes financeiros ajustaram posições e recalibraram expectativas sobre cortes de juros nos Estados Unidos. A apreciação do câmbio brasileiro foi contida em comparação com outros mercados emergentes, embora o real já tenha apresentado desempenho superior aos seus pares em dias anteriores. Na semana, o dólar desvalorizou 0,81% frente ao real, atingindo o menor patamar em um mês.
Ao final das negociações, o dólar à vista fechou em queda de 0,22%, cotado a R$ 5,3361, o menor nível desde 06 de outubro. Na sexta-feira, a moeda americana tocou a mínima de R$ 5,3331 e a máxima de R$ 5,3655. O euro comercial ficou estável a R$ 6,1738, recuando 0,43% na semana. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas de mercados desenvolvidos, depreciava 0,16%, aos 99,571 pontos.
Venda de Dólar por Estrangeiros e Sazonalidade
O dólar abriu a sessão desta sexta-feira estável, chegou a registrar valorização, mas perdeu força no final do pregão. Alan Martins, analista de câmbio da Nova Futura, explica que houve uma venda de dólares por parte de investidores estrangeiros no Mercado de derivativos. “Está caro ficar comprado em dólar, então o estrangeiro, quando abre essa posição, não a arrasta por muito tempo”, afirma. Martins sugere que, com a sazonalidade de fim de ano, a moeda americana poderia atingir R$ 5,45 ou R$ 5,50, mas o diferencial de juros torna difícil imaginar níveis muito acima disso.
Dados do mercado de derivativos da B3 indicam que o investidor estrangeiro reduziu sua posição líquida comprada em dólar de US$ 54,1 bilhões no fim de outubro para US$ 47,5 bilhões. Um operador de câmbio, sob condição de anonimato, comentou que houve venda de dólar, mas ressaltou a influência da “sujeira” de fim de mês nos dados, devido ao vencimento de contratos.
Real Destaca-se entre Moedas Emergentes
O Goldman Sachs destacou em nota que, apesar da aversão ao risco na última semana, o real figura entre as moedas com melhor desempenho em novembro. Outras moedas com alto carry, como o peso colombiano e o florim da Hungria, também tiveram bom desempenho. Os estrategistas do banco americano apontam que, embora estratégias de carry sejam vulneráveis a um apetite por risco mais fraco, a escolha da moeda de financiamento pode neutralizar o risco e a exposição ao dólar em carteiras compradas em moedas de carry trade, permitindo a continuidade do ganho.
“O tamanho do carry é especialmente importante no Brasil, onde o banco projeta que as taxas reais de juros permaneçam elevadas ao longo do próximo ano. Na reunião desta semana, o BC reiterou sua orientação ‘hawkish’ de que a política permanecerá restritiva por ‘um período muito prolongado de tempo’, reforçando a posição do real como o ‘rei do carry’ dentro do complexo cambial de mercados emergentes à medida que nos aproximamos do final do ano.”
A manutenção da postura restritiva do Banco Central (BC) reforça a posição do real como principal moeda de carry trade entre mercados emergentes, especialmente com a aproximação do fim do ano.
Fonte: Valor Econômico