O dólar à vista registrou uma leve queda nesta quinta-feira, impulsionado por um ajuste nas expectativas dos investidores sobre os cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). A divulgação de dados mais fracos do Mercado de trabalho americano pela empresa Challenger abriu espaço para a possibilidade de um novo corte nas taxas dos Fed funds em dezembro.
Apesar do viés de enfraquecimento do dólar em parte do pregão, outros fatores limitaram a valorização do real. Entre eles, uma leve aversão a ativos de risco, com os índices de Wall Street em queda, e a pressão sobre moedas ligadas a commodities, em um dia de cotações baixas para essas matérias-primas.
Impacto dos Dados de Emprego nos EUA
O pregão desta quinta-feira começou com o dólar mais fraco frente ao real. Isso foi atribuído a uma combinação de alívio externo e sustentação local, devido aos juros elevados no Brasil e ao discurso conservador do Banco Central em sua decisão de política monetária.
Dados divulgados pela Challenger, Gray & Christmas indicaram que as empresas americanas cortaram 153 mil vagas no último mês. Essa notícia levou a uma queda nos rendimentos dos Treasuries e do dólar no mercado Internacional.
No entanto, ao longo da manhã, o dólar reduziu sua depreciação, acompanhando pares emergentes. Esse movimento sugeriu um distanciamento dos investidores globais de ativos de risco e de moedas atreladas a preços de commodities.
Análises de Especialistas e Perspectivas para o Real
Andres Abadia, economista-chefe para América Latina da Pantheon Macroeconomics, avalia que o real deve permanecer em uma faixa limitada no curto prazo. Ele aponta que a moeda será sustentada pelos altos rendimentos do “carry” (diferencial de juros) e pela queda da inflação, mas contida pela incerteza fiscal, pelo dólar forte e por riscos políticos.
“Investidores estrangeiros continuam cautelosos em relação ao trajeto fiscal do Brasil, atentos à possibilidade de novos impostos e à saída de dividendos no fim do ano”, afirma Abadia.
A XP Asset Management, por exemplo, adota uma estratégia de posição comprada em real contra o dólar. Bruno Marques, gestor macro da casa, explica que o diferencial de juros alto tem sido fundamental. “Você pode dividir o ganho do câmbio em duas possibilidades: pode ter o ganho de capital, quando sai de um nível e vai para outro; ou pode ter o ganho do carrego. Achamos que o ganho de capital é limitado nesse nível de R$ 5,35, mas tem um carrego positivo”, afirma. “Por isso estamos carregando essa posição.”
Cenário Externo e Futuro da Política Monetária
Marques destaca que o cenário externo tende a continuar favorável, com a economia americana exibindo bons números. O Fed está preparado para oferecer suporte com cortes de juros, se necessário. “É uma economia que estava fraca no começo do ano, mas agora está mostrando um crescimento mais sólido. Por outro lado, o mercado de trabalho está desacelerando, e se isso piorar, o Fed deve cortar juros”, observa.
No lado brasileiro, o diferencial de juros deve continuar dando suporte ao real. A decisão do Banco Central do México de reduzir sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 7,25% ao ano, reflete uma tendência global de afrouxamento monetário em algumas economias.
Fonte: Valor Econômico