O dólar recua nesta quarta-feira (1º), impulsionado pela expectativa de um fim para a guerra no Irã. A desvalorização da moeda norte-americana fortalece ativos de risco, como a Bolsa de Valores.
Às 12h39, a moeda americana caía 0,44%, cotada a R$ 5,157, acompanhando o movimento internacional. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, recuava 0,46% no exterior.
No mesmo horário, a Bolsa subia 0,45%, aos 188.317 pontos. A alta ocorreu apesar da pressão das ações da Petrobras, que recuavam mais de 3% em sintonia com a queda do petróleo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra e que a proposta será analisada quando o estreito de Hormuz for reaberto. Trump declarou que os EUA podem encerrar seus ataques militares contra o Irã em duas ou três semanas, mesmo sem um acordo.
A Casa Branca anunciou que Trump fará um pronunciamento à nação para fornecer uma atualização sobre o Irã. O discurso está marcado para as 22h (horário de Brasília).
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o humor geopolítico é decisivo para o pregão. “A menor tensão no Irã tende a aliviar a moeda americana e ajuda no desempenho do Ibovespa, enquanto uma escalada nos conflitos volta a pressionar o câmbio, os juros futuros e ações mais sensíveis a petróleo”, diz.
A expectativa por um cessar-fogo anima investidores. O contrato de junho do barril Brent recua 2,04%, a US$ 101,85. O contrato de maio do barril WTI cai 1,51%, a US$ 99,80.
A queda do petróleo impacta a Bolsa, com as ações preferenciais da Petrobras caindo 3,18%, a R$ 47,13.
Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a expectativa de uma possível trégua anima analistas. “Trouxe um ambiente mais favorável ao aumento do apetite por risco. Isso se reflete no câmbio —com o dólar em queda”.
A guerra no Oriente Médio tem influenciado decisões de política monetária globalmente. O tema foi citado pelo Fed e pelo Banco Central do Brasil, diante do risco de pressão inflacionária.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a manutenção da taxa de juros em patamares elevados criou uma “gordura” que permitiu ao colegiado iniciar o ciclo de afrouxamento monetário mesmo em meio à disrupção econômica causada pela guerra. Esse fator possibilita que o Copom aguarde os próximos desdobramentos do conflito para decidir sobre o rumo dos juros.