Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que apenas 25% das pessoas trans estão inseridas no Mercado de trabalho formal. Embora este número seja ligeiramente inferior aos 31% de pessoas não-trans ou cisgênero, as aparências podem enganar quanto à extensão da discriminação.
O colunista Pedro Fernando Nery, em seu programa, explicou que a análise do Ipea se concentrou em indivíduos que retificaram seus documentos (CPF, nome ou gênero). Essa metodologia, embora inovadora, representa um grupo restrito e pode não abranger totalmente a população LGBTQIA+, especialmente aqueles com menos recursos ou Acesso à informação para navegar processos burocráticos.
Desafios na Análise de Dados e Discriminação Salarial
Apesar das limitações metodológicas, os dados apontam para uma realidade preocupante: a remuneração de pessoas trans é aproximadamente 30% menor em comparação com pessoas não-trans, mesmo dentro do grupo analisado. Isso sugere que, mesmo com Acesso ao mercado formal, a disparidade salarial persiste.
Pedro Fernando Nery ressalta que, apesar do esforço criativo da equipe do Ipea para analisar esses dados, ainda faltam pesquisas abrangentes, como as realizadas pelo IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad), que investiguem especificamente essa população. A Falta de dados detalhados perpetua a invisibilidade, mas este estudo inicial é um passo importante para iniciar a discussão.
A Necessidade de Mais Informação e Pesquisas Abrangentes
Para compreender plenamente o impacto da discriminação contra a população LGBTQIA+ no mercado de trabalho e na economia, é crucial expandir a coleta de dados. Pesquisas mais inclusivas e detalhadas, que considerem a diversidade de experiências dentro da comunidade, são essenciais para formular políticas públicas eficazes e promover a igualdade.
A Luta por igualdade de oportunidades no mercado de trabalho exige não apenas a inclusão, mas também a garantia de remuneração justa e a erradicação de barreiras sistêmicas que afetam desproporcionalmente grupos minorizados. A transparência nos dados é um primeiro passo fundamental nessa jornada.
Fonte: Estadão