Democracia em Debate: Tensões e Apagamento Indígena são Pontos Críticos

Debate sobre livro revela tensões entre Poderes e o apagamento indígena como falhas democráticas. Conheça os pontos de vista e as análises.
falhas da democracia — foto ilustrativa falhas da democracia — foto ilustrativa

Um debate sobre o lançamento do livro “A Palavra e o Poder” no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, revelou tensões entre os Poderes e o apagamento das vozes indígenas como falhas da democracia brasileira. A obra reúne artigos da Folha das últimas quatro décadas, comentados por intelectuais.

Um ponto central da discussão foi a inclusão de um artigo de Jair Bolsonaro, intitulado “Aceitem a democracia”, na mesma publicação que traz um texto de Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha, com o título “Adolf Hitler na Folha”. A decisão editorial gerou opiniões divididas entre os debatedores.

Oscar Vilhena Vieira, colunista da Folha e professor de direito, e Gilberto Kassab, secretário de Governo e Relações Institucionais de Tarcísio de Freitas, afirmaram que também publicariam o artigo de Bolsonaro. Por outro lado, a escritora Luciany Aparecida e a ativista indígena Txai Suruí expressaram que não o fariam.

Sérgio Dávila relembrou o propósito da seção Tendências/Debates da Folha, criada há 49 anos: “Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.”

Dávila destacou que todos os oito presidentes da República desde a redemocratização assinaram artigos na seção, evidenciando o amplo espectro ideológico contemplado pelo jornal. Essa pluralidade foi refletida no debate, com a participação de diversas vozes.

Vozes Indígenas Marginalizadas na Democracia

A colunista Txai Suruí ressaltou a marginalização histórica das vozes indígenas, que levou à desumanização e ao sentimento de não pertencimento ao país. “Parece que a gente ainda é o outro, que não faz parte desse país, apesar de ser originário daqui”, disse Suruí, criticando a exploração de petróleo na Foz do Amazonas como um “crime ambiental” que beneficia apenas as empresas.

Gilberto Kassab, sobre a exploração de petróleo, declarou que, se ocorrer nos padrões adequados de preservação ambiental, pode ser favorável ao Brasil, embora não a classifique como indispensável.

Tensões entre Poderes e Propostas de Reforma

No debate sobre a anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro, Gilberto Kassab defendeu que a discussão no Congresso é saudável e contribui para um país mais pacificado, aliviando as tensões entre os Poderes. Ele também propôs o voto distrital, o fim da reeleição e a fixação de uma idade mínima de 60 anos para indicações ao STF.

Oscar Vilhena Vieira, por sua vez, criticou veementemente a anistia, afirmando que “a história brasileira é de impunidade” e que anistias anteriores incentivaram a subversão da democracia. Ele elogiou a evolução do Brasil como uma “revolução de veludo”, apesar das frustrações em áreas como segurança e desigualdade, e destacou o avanço no combate às exclusões e a democratização das decisões.

Diversidade e Expansão Democrática

Luciany Aparecida, professora de literatura, ressaltou a importância da fragmentação da esquerda para a presença de novas vozes, como a dela, em espaços de debate. “Nossa presença em espaços assim é pela fragmentação. Não sou eu que se imagina como o hegemônico em certos lugares”, afirmou, defendendo que essa diversidade amplia as possibilidades e o olhar.

Naief Haddad, um dos organizadores do livro, concluiu que “A Palavra e o Poder” representa a democracia brasileira: um projeto que, apesar dos desafios, se tornou uma realidade, com debates renovados e ampliados para o futuro.

Fonte: Folha de S.Paulo

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