A crise de acesso à moradia na Espanha tem levado a um aumento significativo na frequência de mudanças residenciais, especialmente entre as gerações mais jovens. Jovens adultos realizam, em média, quatro mudanças ao longo da vida, superando em uma o número de seus pais. Essa instabilidade imobiliária é impulsionada pela alta contínua nos preços de aluguéis e imóveis.


O país, que antes apresentava uma mobilidade residencial mínima, com apenas 5% de pessoas mudando de casa anualmente, viu esse índice dobrar. Especialistas apontam que o acesso à moradia era mais facilitado no passado, permitindo uma emancipação mais precoce. Atualmente, a média de idade para sair da casa dos pais na Espanha é de 30 anos, quatro anos acima da média europeia.
Em 2024, foram registradas 2,3 milhões de mudanças residenciais na Espanha, um aumento em relação ao ano anterior. A expiração de cerca de 630.000 contratos de aluguel ao longo deste ano, muitos firmados durante a pandemia, pode intensificar ainda mais esse fluxo, apesar de uma proposta de prorrogação extraordinária ainda pendente de validação no Congresso.
A pressão externa, com o aumento da imigração, também contribui para a mobilidade, especialmente em grandes áreas metropolitanas como Madrid e Barcelona. A população estrangeira na Espanha cresceu significativamente, com a maioria dos imigrantes provenientes da Colômbia, Venezuela e Marrocos.
Indefinição e estresse na mudança
Estudos indicam que millennials realizam ao menos quatro mudanças de casa, enquanto seus pais, os boomers, fizeram uma a menos. Embora essas mobilizações sejam comparáveis às de países como França e Portugal, são significativamente menores que as dos Estados Unidos, onde as pessoas se mudam em média 11 vezes.
A experiência de muitas mudanças pode ser caótica e gerar um gasto financeiro considerável, além de muito estresse. Cenários de mudança forçada podem desencadear mal-estar, indefensação, perda de controle e afetar a autoestima. A comparação com o progresso de pessoas próximas que já se estabeleceram pode agravar o sentimento de mal-estar.
Rede de apoio e busca por estabilidade
A distância média das mudanças na Espanha é de apenas 37 quilômetros, evidenciando a importância do arraigo familiar e da proximidade. O país é caracterizado por um Estado de bem-estar familiarista, onde o apoio familiar é fundamental para o bem-estar, influenciando a decisão de não se mudar para locais distantes.
A partir da terceira mudança, muitos indivíduos começam a considerar a compra de um imóvel. A primeira mudança geralmente marca a emancipação, a segunda busca a consolidação do aluguel, e a terceira costuma ser o momento em que se adquire a primeira hipoteca. As razões mais comuns para mudar de casa incluem trabalho, busca por formação, emancipação e motivos familiares ou de relacionamento. Contudo, a atual crise imobiliária limita a escolha do destino, forçando a adaptação a locais disponíveis.
Fonte: Elpais