A proposta de um “consórcio da paz” entre governadores e a tentativa de classificar o crime organizado como terrorismo são as novas bandeiras da direita no Brasil, em especial após o aumento da violência no Rio de Janeiro. Essa estratégia, no entanto, levanta questionamentos sobre sua real eficácia para solucionar a crise de segurança.
Segurança Pública no Centro do Debate Eleitoral
A segurança pública é, inegavelmente, a maior preocupação da população brasileira e deve dominar o cenário das eleições de 2026. Enquanto a direita advoga por uma abordagem de “bandido bom é bandido morto”, a esquerda frequentemente é acusada de ser conivente com o crime e de priorizar os direitos humanos em detrimento da Punição.
Em um contexto de sociedade exausta e irritada com a criminalidade, discursos mais duros podem encontrar eco no eleitorado. No entanto, o alto número de mortos em operações policiais, como as recentes ocorrências no Rio de Janeiro que superaram o número de vítimas do Carandiru, geram choque e questionamentos éticos e legais, sem apresentar soluções concretas para a crescente audácia, armamento e infiltração do crime organizado nas instituições.
A Complexidade do Combate ao Crime Organizado
A estratégia atual, que resulta em “banhos de sangue” e “cadáveres enfileirados”, pode chocar a opinião pública e internacional, mas não resolve a raiz do problema. Os executores, muitas vezes jovens de comunidades carentes, são descartáveis, servindo como escudos para os chefes que permanecem protegidos e com Acesso a luxos, frequentemente infiltrados no setor público e privado.
A Luta contra o crime organizado exige uma abordagem multifacetada. Embora o rigor e a dureza sejam necessários contra os criminosos, transformar agentes do Estado em milicianos ou promover chacinas e execuções sumárias viola a Constituição e os princípios legais. A solução reside na união entre governos federal e estaduais, investimento em inteligência, cooperação internacional e um foco implacável nas finanças e na corrupção que sustentam as organizações criminosas.
Análise das Propostas: “Consórcio da Paz” e Terrorismo
A criação do “consórcio da paz”, impulsionada por governadores aliados, e a proposição de classificar organizações criminosas como terroristas, conforme sugerido em projetos que visam agradar a eleitores como Donald Trump e Jair Bolsonaro, representam uma estratégia política com pouca base em soluções efetivas. Essa medida contraria a posição histórica brasileira e representa mais um “tiro n’água” no combate real à violência.
O presidente Lula avalia o tom eleitoral da medida, enquanto figuras como Alexandre de Moraes e o governador Cláudio Castro estão envolvidos nas discussões sobre segurança. No entanto, o país necessita urgentemente de um pacto de sobrevivência e responsabilidade, que vá além de soluções simplistas e se concentre em estratégias comprovadamente eficazes para garantir a paz e a segurança da população.
Fonte: Estadão