O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou um pedido para estender por 60 dias as atividades do colegiado, que se encerrariam em 14 de abril. O requerimento foi assinado por 28 senadores, incluindo o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), e o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O pedido será analisado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).



Vieira justifica a prorrogação afirmando que os trabalhos da CPI transcenderam a análise da criminalidade violenta tradicional. A extensão é necessária para aprofundar as investigações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo o relator, o crime organizado opera com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, utilizando complexas redes de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos e privados.
A comissão obteve um volume significativo de documentos a partir da investigação do Master, incluindo arquivos de quebras de sigilo. O relator destaca que o cruzamento meticuloso desses dados sensíveis e a realização de oitivas são essenciais. A complexidade e a magnitude dos fatos descobertos exigem rigor técnico e robustez probatória, ultrapassando o prazo original.
O colegiado foi instaurado em novembro de 2025, após a Operação Contenção no Rio de Janeiro. No entanto, a CPI se tornou uma frente para apurar o caso Master diante da resistência do presidente do Senado em abrir uma comissão específica para o tema. A prorrogação de CPIs tem sido uma pauta recorrente, com o ministro do STF André Mendonça já tendo decidido sobre a extensão da CPI do INSS diante da inércia do presidente do Senado.
Fonte: UOL