Corte de Juros: Economistas Preveem Início em Março; Janeiro é Possibilidade

Economistas debatem quando o Banco Central iniciará o corte da Selic. A maioria aponta para março de 2025, mas janeiro ainda é uma possibilidade.
corte de juros — foto ilustrativa corte de juros — foto ilustrativa

A discussão sobre quando o Banco Central do Brasil iniciará o corte da taxa básica de juros em 2025 está em pauta entre os economistas. Após a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 15% ao ano pela terceira reunião consecutiva, a maioria das análises aponta para março como o início da flexibilização monetária. No entanto, a possibilidade de uma antecipação para janeiro não está totalmente descartada, dependendo da continuidade de um cenário de atividade econômica mais fraca e de menor pressão inflacionária.

Projeções de Economistas para o Início do Ciclo de Cortes

A XP Investimentos, por exemplo, mantém sua projeção de que o ciclo de baixa se iniciará em março, com seis cortes sucessivos de 0,50 ponto percentual, o que levaria a Selic a 12% ao ano no final de 2025. Caio Megale, economista-chefe da XP, afirmou que, em sua visão, as próximas leituras de inflação e atividade econômica deverão convencer o Copom de que a política monetária restritiva está surtindo efeito. Ele ponderou, contudo, que a política fiscal expansionista do governo e as incertezas globais podem exercer pressões sobre a demanda doméstica, o Déficit em conta corrente e a inflação ao longo de 2025, limitando o espaço para cortes mais agressivos.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, avaliou que, com a manutenção de um cenário de câmbio favorável e desaceleração da atividade, a queda da inflação deve seguir consistente, ainda que lenta, tanto em bens quanto em serviços. Ela acredita que o início dos cortes pode ocorrer a partir de janeiro, apesar de avaliar que os riscos para o próximo ano incluem o impacto da expansão fiscal e o reaquecimento da demanda doméstica com o aumento da isenção de Imposto de Renda a partir de janeiro, além de novas iniciativas de gastos fiscais em ano eleitoral.

Adriana Dupita, economista na Bloomberg Economics, posicionou a projeção do primeiro corte para o primeiro trimestre de 2025, com a taxa fechando o ano em 11%. Segundo ela, a grande dúvida atual é se o Banco Central (BC) começará em dezembro a preparar o terreno para um corte de juros, com mudanças na comunicação. Ela comentou que a melhora na inflação corrente e esperada coloca em jogo a possibilidade de redução no aperto monetário, embora a normalização da taxa tão cedo não esteja em discussão. Contudo, acredita que o BC terá incentivos para esperar por uma melhora adicional no cenário inflacionário antes de sinalizar o primeiro corte.

Análise do JP Morgan e Outras Instituições

O JP Morgan destacou que o BC observou apenas um progresso muito pequeno em direção à sua meta de inflação, apesar das melhorias nas expectativas, no câmbio e no crescimento econômico moderado do PIB. O banco de investimentos escreveu em sua análise do Copom que esse resultado efetivamente fecha a porta para um corte de juros em dezembro, a menos que ocorra um evento importante. Embora seja possível que o BC possa cortar a taxa em janeiro em resposta a uma forte queda no Mercado de trabalho ou a um evento significativo no crédito, agora o início mais provável do ciclo de afrouxamento será na reunião de março. O JP Morgan espera cortes consecutivos de 50 pontos base a partir de março, elevando sua projeção para a taxa Selic no final de 2025 de 10,75% para 11,50%.

No PicPay, a economista-chefe Ariane Benedito também projeta que o Banco Central manterá a Selic em 15% novamente em dezembro, moderando o tom e reforçando o foco na ancoragem das expectativas e convergência da inflação à meta. Ela acredita que o Comitê deve iniciar o ciclo de cortes em março de 2025, com reduções graduais de 0,50 ponto percentual por reunião, até o ciclo final em 12% ao ano. Para ela, a comunicação de ontem transmitiu um menor grau de tensão em comparação ao comunicado anterior, sugerindo um ‘hawkish moderado’, ainda vigilante, mas com convicção de que o estágio atual da política monetária é adequado.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, reforçou a ideia de manter a taxa por um período bastante prolongado, com o BC buscando consolidar o processo de desinflação e ancorar as expectativas. Na prática, ele mantém essa estratégia agora para ganhar mais graus de liberdade no futuro, quando houver espaço para iniciar os cortes. Sua expectativa é de início do ciclo de cortes em março do ano que vem, mas lembra que o ano eleitoral tende a gerar mais estímulos e pressão de atividade, o que reduz graus de liberdade. Por isso, seu cenário de Selic terminal no ano que vem é 12,5% ao ano.

Economistas discutem o futuro da taxa Selic e projeções para o corte de juros.
Análise detalhada das projeções de economistas para o futuro da taxa Selic.

Fonte: InfoMoney

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