A ata da última reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, está sob escrutínio do Mercado financeiro. Uma dúvida crucial paira sobre as mesas de operação: a projeção de inflação de 3,3% no horizonte relevante apresentada no comunicado oficial já contempla os efeitos da aprovação da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil?
Impacto da Isenção do IR nas Projeções de Inflação
A resposta para essa questão possui implicações diretas para a trajetória da taxa Selic. Na visão da tesouraria de uma importante instituição local, se a projeção de 3,3% para o IPCA já inclui a redução da carga tributária, um corte na taxa Selic ainda em janeiro permanece como uma possibilidade real. Isso indicaria que o Banco Central já precificou os efeitos dessa medida.
No entanto, caso a projeção de 3,3% ainda necessite de ajustes para incorporar os potenciais efeitos de uma reaceleração na atividade econômica e um hiato do produto mais apertado (indicador de ociosidade da economia), o cenário inflacionário projetado poderia se distanciar ainda mais do centro da meta perseguida pelo BC. Tal cenário tenderia a adiar qualquer decisão de corte para março.
Análise do Mercado e Expectativas para Janeiro
“Podemos finalmente descobrir se a reforma do Imposto de Renda foi incorporada ao modelo [do Copom], uma percepção que pode ser bastante reveladora. Se a projeção estiver em 3,3% com o IR já incorporado, será visto como um bom sinal de que um corte em janeiro segue na mesa. Caso a projeção esteja em 3,3%, mas sem a incorporação do IR, a Barra para um corte em janeiro deve ficar mais elevada”, avalia um profissional de renda fixa de uma instituição financeira.
A pertinência da dúvida se intensifica pelo fato de o Banco Central, em suas projeções, incorporar apenas aquelas medidas que já foram convertidas em lei. No caso da isenção do IR, a matéria foi aprovada pelo Senado na quarta-feira, minutos após a conclusão da decisão do Copom. A decisão do Senado de ampliar a isenção do Imposto de Renda foi unânime.
Mercado de Opções Digitais e Cenários para a Selic
Analisando o mercado de opções digitais, as apostas apontam majoritariamente para a manutenção da Selic nos atuais 15% ao ano em janeiro. Há uma probabilidade implícita de 60% para a manutenção da taxa. Em contrapartida, 25% de chance indicam um corte de 0,25 ponto percentual, e 13,5% das apostas sinalizam um corte de 0,5 ponto percentual. A confirmação da isenção do IR na ata do Copom será um dos principais fatores para calibrar essas expectativas.
Fonte: Valor Econômico