A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil em 2025 foi revisada de 2,3% para 1,3%. Apesar da redução, o setor não enfrenta o fim do ciclo de expansão e espera-se uma retomada mais forte no próximo ano.
Segundo Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a expectativa é de que o PIB da construção em 2026 supere o desempenho deste ano. Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC, complementou que o ritmo menor de atividade em 2025 não indica um baixo nível de atividade.
A CBIC atribui a revisão das projeções para este ano ao impacto da taxa Selic elevada sobre a economia brasileira. Juros altos têm limitado o desenvolvimento de novos projetos, a geração de empregos e, significativamente, a compra de materiais de construção por famílias para reformas.
Para 2026, a previsão é de recuperação, impulsionada pelo ciclo de corte da Selic e por medidas governamentais voltadas ao setor. Correia destacou ações como o programa de crédito para reforma de moradias, com orçamento de R$ 40 bilhões, que visa recompor a demanda por materiais e impulsionar o PIB da construção.
Outra iniciativa mencionada é o novo modelo de crédito imobiliário, que liberará cerca de R$ 40 bilhões dos depósitos compulsórios da poupança para financiamentos. Há também estudos para aumentar o uso de recursos do FGTS em habitações de interesse social, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Vasconcelos ressaltou que recordes recentes em lançamentos imobiliários se traduzirão em obras nos próximos trimestres, mantendo um elevado nível de atividade. Obras de infraestrutura também avançam, impulsionadas por investimentos em concessões, e o cenário eleitoral tende a estimular mais obras, movimentando a economia.
Crescimento do Emprego na Construção Civil
Em agosto, a construção civil empregou 3,051 milhões de trabalhadores formais, aproximando-se do Recorde de 3,074 milhões registrado em outubro de 2013. A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, estima que o recorde possa ser batido ainda em 2025.
Embora os últimos meses do ano geralmente vejam desaceleração e perda de empregos, a continuidade do crescimento do emprego está sinalizada para o próximo ano. Todos os três segmentos do setor registraram aumento de trabalhadores na comparação anual: construção de edifícios (3,02%), obras de infraestrutura (1,75%) e serviços especializados (3,98%).
Nos 12 meses encerrados em agosto de 2025, foram criados 89 mil novos empregos. Embora positivo, o ritmo de contratações desacelerou em comparação com os 12 meses anteriores, refletindo o impacto dos juros altos no desenvolvimento de projetos e na geração de vagas.
Custos e Inflação na Construção
O aumento dos gastos com mão de obra é o principal fator por trás da inflação na construção civil, segundo Ieda Vasconcelos. O Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) acumulou alta de 6,78% nos 12 meses até setembro, impulsionado pela mão de obra (9,88%), enquanto materiais e equipamentos subiram 4,53% e serviços, 5,47%.
O custo da construção permanece acima da inflação oficial (IPCA), que registrou 5,17% no mesmo período. Os custos se estabilizaram em um patamar elevado, refletindo o baixo desemprego e a escassez de mão de obra qualificada.
Fonte: Estadão