No mundo acelerado em que vivemos, muitas mulheres enfrentam um fardo invisível, mas esmagador, conhecido como carga mental. Trata-se do trabalho mental, muitas vezes não reconhecido, mas necessário para manter a casa e a vida familiar em funcionamento, incluindo a organização dos cuidados com as crianças, o planejamento de refeições saudáveis e a pesquisa de atividades de lazer.
A professora de sociologia Leah Ruppanner, da Universidade de Melbourne, na Austrália, autora do livro Drained (“Esgotada”), explica que existem oito categorias diferentes de carga mental. Ela aponta que muitos desses encargos “não têm limites” e são permanentes, o que pode resultar em burnout.
Embora os homens possam estar assumindo mais tarefas em casa, as mulheres permanecem sobrecarregadas por esse trabalho oculto. Reconhecer que compartilhar esse trabalho mental beneficia a saúde, o bem-estar e os relacionamentos pode incentivar casais a buscar um equilíbrio.
Oito Tipos de Carga Mental Identificados
Leah Ruppanner identificou oito categorias distintas de carga mental:
- Organização da vida:Planejamento e garantia de que a casa funcione adequadamente.
- Apoio emocional:Acompanhar o estado emocional de familiares e amigos, oferecendo suporte.
- Higiene dos relacionamentos:Manter conexões sociais fortes com filhos, amigos e familiares.
- Criação de magia:Trabalho para criar tradições e momentos especiais, como em celebrações.
- Construção de sonhos:Apoiar as ambições e paixões das pessoas próximas.
- Manutenção individual:Cuidar da saúde física e mental, além de projetar essa imagem.
- Segurança:Preocupação com a segurança de entes queridos e da comunidade.
- Metacuidados:Reflexão sobre a criação do mundo desejado e alinhamento com valores pessoais.
Impacto e Soluções para a Carga Mental
A pesquisa de Ruppanner revelou que a maioria das mães entrevistadas se sentia sobrecarregada, com energia suficiente apenas para emergências, mas não para oportunidades de vida. Para reduzir essa sobrecarga, é fundamental reconhecer que não se é responsável pelos sentimentos alheios ou pela criação de um mundo perfeito.
É preciso desconstruir a ideia de que mulheres devem sempre se colocar em último lugar. Parar de agir no automático e ser mais estratégica ao oferecer apoio emocional é essencial. A pesquisa sugere que mulheres com mais empoderamento e formação têm acesso facilitado ao mercado de trabalho, o que leva a divisões mais igualitárias das tarefas domésticas e a relacionamentos melhores.
Investir em si mesma, seja através de um fim de semana fora ou buscando ajuda profissional, pode diminuir a carga mental e promover uma mudança de mentalidade, priorizando o bem-estar individual. Essa priorização não beneficia apenas a mulher, mas a todos ao seu redor.


Fonte: UOL