A busca por alimentos saudáveis e práticos, sem extrapolar o orçamento, tem moldado o comportamento do consumidor brasileiro nos supermercados. Nos últimos quatro anos, proteÃnas e alimentos in natura têm ganhado espaço em detrimento de carboidratos industrializados, segundo a consultoria Scanntech. A maior conscientização sobre o papel da alimentação no bem-estar, impulsionada por pesquisas e pela maior clareza nos rótulos sobre teores de sódio, gordura e açúcar, reforça essa tendência.


Mudancas no carrinho de compras
Entre 2022 e 2025, categorias como massa instantânea, açúcar, hambúrguer, suco pronto, margarina, biscoito e cerveja apresentaram queda no volume de vendas. Em contrapartida, água, frutas in natura, ovo, sardinha enlatada, queijo, legumes, frango in natura e verduras registraram crescimento significativo.
As proteÃnas, em particular, ganharam destaque, impulsionadas também pelo advento das canetas emagrecedoras (GLP-1), que aumentam a sensação de saciedade e a manutenção da massa muscular. Essa mudança de hábito reflete um interesse crescente pela prática de esportes e exercÃcios fÃsicos, acelerada no pós-pandemia.
Suplementos e marcas próprias
Suplementos como whey protein e creatina, embora ainda com preço elevado, apresentaram um crescimento expressivo no varejo alimentar. Empresas como o Grupo Supley adaptaram suas embalagens para o ambiente de supermercados, oferecendo versões menores de seus produtos. Redes de varejo, como o Carrefour, também estão expandindo suas seções dedicadas a alimentos saudáveis e proteicos, incluindo marcas próprias como a Viver Bem.
Novos hábitos e conveniência
A falta de tempo para cozinhar tem levado ao aumento do consumo de refeições prontas, tortilhas e massas para wraps, e pratos prontos. No entanto, a preferência recai sobre opções mais saudáveis, em detrimento de lasanhas e hambúrgueres industrializados. Mesmo com a queda no consumo de arroz e feijão, que se acentuou nos últimos quatro anos, os brasileiros buscam inovar na cozinha quando optam por preparar suas próprias refeições.
A categoria de bebidas não alcoólicas, especialmente as versões sem açúcar de refrigerantes, também apresenta crescimento. Em contrapartida, a venda de itens de mercearia básica, como café e leite de caixinha, apresentou queda, influenciada também por questões de preço.
Fonte: UOL