O Brasil caiu duas posições no ranking global de inclusão financeira em 2025, passando para a 23ª colocação entre 42 países avaliados. O dado é do Global Financial Inclusion Index, feito pelo grupo financeiro americano Principal e pelo Centro de Pesquisa Econômica e Empresarial (Cebr).
O país obteve uma média de 52,0 pontos, uma queda de 0,4 ponto em relação a 2024. A nota é formada por uma avaliação de 62,3 pontos na vertical “apoio do empregador”, 63,3 em “apoio do sistema financeiro” e 38,4 em “apoio do Governo”.
Inclusão Financeira Global e Regional
A média global foi de 49,4 pontos, ligeiramente abaixo dos 49,6 registrados em 2024. A região com maior pontuação foi a das Américas (53,4), seguida pela Ásia-Pacífico (50,3), Europa (48,7), Oriente Médio (48,5) e África (32,5). Dentro das Américas, Estados Unidos e Canadá tiveram média de 64,8 pontos, enquanto a América Latina registrou 44,7.
Segundo Marcela Rocha, economista da Principal, a estabilidade do índice global reflete um cenário de incerteza econômica e política em várias regiões. “O resultado de 2025 marcou um platô, marcou uma estabilidade depois de uma melhora que ocorreu nos últimos dois anos. Essa estabilidade reflete um mundo que vem atravessando mais incertezas e mais instabilidades — conflitos, guerra comercial e também incerteza a respeito de mudanças políticas”, afirmou.
O progresso na América Latina desacelerou no último ano, com avanço de apenas 0,1 ponto. Em 2024, o crescimento havia sido de 5,1 pontos e, em 2023, de 9,3. Além disso, todos os mercados latino-americanos analisados registraram um declínio em suas pontuações de percepção de inclusão financeira em 2025, com uma queda de 8,8 pontos — este foi o quarto ano consecutivo de retração.
“Mostra uma estabilização e, depois de dois anos de forte melhora, uma estabilização ali com um delta positivo. Mas a verdade é que a nossa foto geral ainda mostra que os países da América Latina estão naquele quadrante mais baixo”, afirmou Rocha. Colômbia (39º), Peru (41º) e México (33º) estão entre os dez últimos colocados do ranking geral. Os melhores posicionados entre os latino-americanos são o Brasil (23º), a Argentina (28º) e o Chile (29º).
Fatores de Desaceleração Regional e Nacional
O principal fator de desaceleração regional foi a piora no pilar de “apoio do empregador”, que recuou 1,1 ponto na América Latina. “A confiança dos empresários foi afetada e não há espaço para os empregadores evoluírem nessas políticas de melhorar benefícios”, explicou a economista. “O apoio do governo aumentou. Quando a gente fala de apoio do governo, a gente teve a reforma da previdência na Argentina e a gente teve iniciativas de proteção ao consumidor no Chile e no Peru.”
Rocha acrescenta que a América Latina é o melhor exemplo de como a participação do Estado pode compensar as fragilidades do setor privado. “Nos países que têm baixa inclusão financeira, a gente precisa de uma participação do governo.” No entanto, ela avalia, para que haja um avanço consistente, é necessária uma atuação coordenada entre o setor público e o privado.
No caso do Brasil, o recuo de 0,4 ponto foi puxado principalmente pela queda no pilar de “apoio do empregador”, especialmente no indicador de contribuições patronais para previdência privada. “Isso puxou para baixo o apoio do empregador”, explicou Rocha. Nessa categoria, o país ocupa a 14ª colocação, com 62,3 pontos.
Pontos Fortes e Desafios do Brasil
Por outro lado, o Brasil é destaque na categoria de “apoio do sistema financeiro”, ocupando a 10ª posição do ranking e 63,3 pontos, devido à digitalização e modernização do setor. O Pix e o open finance são citados como inovações que impulsionam a inclusão financeira. “O Brasil se torna um ‘benchmark’ para inclusão digital com a aderência, com o sucesso do Pix e com toda a melhoria que isso levou de inclusão financeira.”
Já na vertical “apoio do governo”, o Brasil continua entre os dez piores do ranking, em 36ª posição, com 38,4 pontos, refletindo desafios em educação financeira, acesso à educação e conectividade digital. “[O Brasil] precisa de mais políticas públicas diretas para a inclusão financeira.”
Apesar da queda do Brasil no ranking deste ano, desde que o índice começou, em 2022, o país já subiu 12 posições e cresceu 19,3 pontos. Além disso, 64,6% da população diz se sentir financeiramente incluída, colocando o país na 18ª colocação em percepção do consumidor.
Fonte: Valor Econômico