O Bradesco expressa receio de que o Banco Central precise desacelerar o ritmo de corte da taxa de juros no Brasil devido à escalada da guerra no Irã. A instituição financeira projeta que a Selic encerrará o ano em torno de 12,5%.


Em março, o Banco Central reduziu a taxa de juros para 14,75% ao ano, marcando a primeira redução desde 2024. Bruno Boetger, vice-presidente de atacado do Bradesco, afirmou que, se a guerra escalar, os juros permanecerão mais altos por mais tempo. Ele participou da 12ª edição do Brazil Investment Forum, evento promovido pelo Bradesco BBI.
Segundo Boetger, em um cenário benigno, com o fim rápido da guerra, o barril de petróleo poderia recuar para a faixa dos US$ 80 nos próximos meses, ante os atuais US$ 110 do Brent. Ele destacou que a guerra gera incerteza e volatilidade, o que poderia impactar a inflação e permitir a queda dos juros no Brasil.
Boetger ressaltou o desempenho positivo do Brasil na atração de capital estrangeiro para a Bolsa de Valores em 2026. Entre janeiro e o início de abril, investidores estrangeiros acumularam um saldo positivo de R$ 54,7 bilhões na B3. Ele considera essa entrada de capital estrangeiro como um fator positivo que sustenta a Bolsa neste ano.
O Bradesco projeta até dez ofertas de ações na B3 este ano, entre IPOs e emissões secundárias, com movimentação esperada de R$ 15 bilhões. Em relação a aberturas de capital, Boetger vê espaço para pelo menos um IPO, mas prefere não detalhar setores. Empresas como Aegea e BRK, do setor de saneamento, estão avançadas em negociações para listagem na bolsa.
Ele admitiu que a guerra impactou a projeção de IPOs para o ano, mas ainda vê oportunidades para empresas selecionadas. “A gente acha que tem janela para oportunidades para ofertas selecionadas”, disse Boetger, mencionando setores em crescimento como infraestrutura, energia, saneamento, portos e rodovias.
O executivo também afirmou que a eleição presidencial não é a principal preocupação do mercado de capitais no momento, destacando que as maiores preocupações são a guerra, os juros e a volatilidade.
Investimentos e Renda Fixa
Boetger observou uma migração dos investimentos de pessoas físicas para ativos de menor risco, como CDBs de grandes bancos e poupança.
A projeção do banco para o volume de emissões locais de renda fixa em 2026 é de cerca de R$ 550 bilhões, inferior aos R$ 740 bilhões registrados no ano anterior. A captação líquida dos fundos de crédito no ano está negativa em aproximadamente R$ 6 bilhões, revertendo o saldo positivo de R$ 40 bilhões em 2025.
“Eu estou menos otimista do que no começo do ano, porque você tem uma guerra em curso. A guerra adicionou volatilidade. Você teve os eventos corporativos e isso deu um impacto no mercado local, que está em compasso de espera, reavaliando preço e volume”, concluiu.
Fonte: UOL