Bolsa Atinge Novo Recorde; Dólar Recua Após Decisão do Copom

Bolsa brasileira atinge novo recorde e dólar cai após decisão do Copom de manter Selic em 15%. Veja as análises e o impacto no mercado financeiro.
Decisão do Copom — foto ilustrativa Decisão do Copom — foto ilustrativa

A Bolsa brasileira atingiu um novo patamar histórico de fechamento nesta quinta-feira (6), com o Ibovespa, principal índice da B3, registrando uma leve alta de 0,02% e encerrando o dia aos 153.339 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a superar os 154.000 pontos pela primeira vez na história, demonstrando forte valorização acumulada em 12 pregões consecutivos.

Em paralelo, o dólar apresentou queda de 0,23%, fechando o dia cotado a R$ 5,348. O movimento de desvalorização da moeda americana também foi observado no cenário Internacional, com o índice DXY, que mede seu desempenho frente a outras seis divisas principais, recuando 0,47%.

Gráfico da Bolsa de Valores brasileira com destaque para a alta recente.
Bolsa brasileira renova recorde em dia de decisão do Copom.

Copom Mantém Selic em 15% e Sinaliza Persistência

Em um dia sem grandes indicadores econômicos divulgados, os investidores repercutiram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, anunciada na véspera, de manter a taxa Selic em 15% ao ano pela terceira reunião consecutiva. O comunicado do comitê indicou que a taxa permanecerá nesse patamar por um “período bastante prolongado”, sinalizando cautela diante das incertezas econômicas.

A manutenção da taxa, apesar das pressões do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva por cortes, reflete a estratégia conservadora do Banco Central em buscar a convergência da inflação para a meta. A ausência de sinais mais claros para o início dos cortes de juros gerou análises diversas entre os especialistas.

Análises de Especialistas sobre a Política Monetária

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, avaliou que o comunicado sugere que os cortes na taxa de juros não ocorrerão em breve. Ele acredita que o Copom esperará por mais desdobramentos nos cenários interno e externo antes de adotar uma política monetária menos restritiva. Marcos Praça, diretor de análise na Zero Markets Brasil, classificou o comunicado como neutro, destacando a ausência de brechas para interpretação e a menção à possibilidade de elevação dos juros como reforço ao tom cauteloso.

Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, observou sinalizações discretas de desaceleração da inflação, que, se confirmadas, podem dar mais Confiança ao Banco Central para reduzir a Selic. Contudo, ele projeta que o corte só ocorra em janeiro de 2026, adiando as expectativas para o final do ano.

Gráfico comparando as projeções de inflação no Brasil.
Projeções de inflação para 2026 e 2027 indicam recuo, mas ainda acima da meta.

Mercado de Câmbio e Influências Externas

No mercado de câmbio, a manutenção de juros altos no Brasil, enquanto os juros nos Estados Unidos permanecem em patamares mais baixos, favorece a estratégia de “carry trade”. Essa operação consiste em tomar empréstimos a custos reduzidos em moedas fortes e investir em mercados com taxas de retorno mais elevadas, como o brasileiro. O fluxo de capital para o Brasil, impulsionado por essa diferença, resulta na valorização do real e, consequentemente, na desvalorização do dólar.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que a decisão do Banco Central reforçou o “carry trade” local e sustentou o real. Além disso, os investidores acompanharam dados da economia norte-americana, que apresentaram sinais mistos. O aumento nas demissões em massa nos EUA em outubro, segundo a Challenger, Gray & Christmas, contrasta com a recuperação na abertura de vagas no setor privado reportada pela ADP.

A paralisação do governo federal dos Estados Unidos, agora a mais longa da história, tem limitado a divulgação de dados econômicos oficiais, o que adiciona incerteza ao cenário. O Federal Reserve (Fed), banco central americano, tem se valido de relatórios alternativos para suas decisões de política monetária. Na reunião mais recente, o Fed estendeu o ciclo de cortes de juros com mais uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa à banda de 3,75% a 4%. Novos cortes não estão garantidos, e os investidores veem uma chance de 67% para um novo corte em dezembro.

Fonte: Folha de S.Paulo

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